Por Opinião
Em 10/01/2017

A lição de Francisco - Walber Aguiar*

Onde houver tristeza que eu leve alegria, onde houver dúvida que eu leve a fé
                                                                                       Francisco de Assis
                                                                                                 
No meu bairro, no velho São Francisco, conheci as ruas de barro vermelho e a simplicidade. Conheci o bar do  Neir, seu Calandrino e seu Zé Niça, “Chinelão” e seu Pinheiro, Mário Carioca, filho de  seu Eduardo e dona Marieta. Poderia aqui enumerar tantos outros, mas me detenho na velha, embora reformada, igreja de São francisco de Assis.

Ali, no coração do velho “Chico”, a igreja conseguiu congregar inúmeras pessoas do bairro. Lembro dos velhos arraiais, do bingo e do serviço de recadinhos. Das barracas cheias de gente e alegria. Também do campinho em que “Ribeirão”  se reunia com a molecada em torno da contagiante vibração do futebol.

Camiranga, Magno velho, Francélio, Danilo Preventino, Cascadura, nego João e tantos outros participavam daquela pelada no campinho da igreja. A  meninada subia no juro pra ver o desenrolar da pelada de fim de tarde.

Ora, a Igreja, com o padre Lírio Girardi, acolhia os fiéis. Lembro que minha mãe, dona Maria Messias, levava a gente pelo braço para assistir a missa. Ali era distribuído o semanário litúrgico- catequético, uma espécie de jornalzinho que dava o roteiro da ritualidade católica.

Quem queria ofertar, ofertava, quem queria se omitir se omitia. Não havia nenhuma maldição ou castigo sobre os despossuídos do vil metal, do dinheirinho suado que cada um ganhava.

Depois que minha mãe foi embora, em outubro de 2003, fui poucas vezes à igrejinha de São Francisco de Assis..

Não me lembro de ter visto nos evangelhos ninguém cobrando para ensinar o povo, fazer milagres, ressuscitar mortos, abençoar os desgraçados e oprimidos que viviam nas regiões da sombra da morte. Jesus nunca cobrou entrada para o “Sermão do Monte”, ou para o ensino fascinante das parábolas. Nunca mercadejou a fé ou comercializou o sagrado. O que vejo é gente cobrando pela fala de um “apóstolo” de Nova Yoirk, cheio de pompa e circunstância, que pede cinquenta reais por uma simples entrada num evento de pretensas “curas e libertações”. Acho que o povo que vai será “liberto” do dinheiro no bolso, pois vai depositar o resultado de seu trabalho na sacola de quem cobra para pregar  qualquer coisa que atraia as multidões. Questões sobre sexo, dinheiro e saúde são um chama para quem quer ouvir, mesmo que uma simples mensagem não resolva seus problemas.

Num tempo em que um papa renuncia a muitas benesses e tenta viver como um verdadeiro discípulo de Jesus, à semelhança do santo da igreja do meu bairro; de um homem que “conversava” com os bichos e tratava as pessoas como gente, alguns evangélicos seguem na contramão da história, cobrando “indulgências” de gente ingênua e sem uma releitura do evangelho a partir de  Jesus.

Naquela manhã, lembrei de minha mãe, do velho bairro e da igrejinha de São Francisco de Assis. Que saudade da grandeza e da simplicidade...

*Poeta, professor de filosofia, historiador e membro da Academia Roraimense de Letras wd.aguiar@gmail.com
---------------------------------------

Justiça ou In-Justiça do Trabalho? - Marlene de Andrade*

A obra do justo conduz à vida, o fruto do perverso, ao pecado. (Provérbios 10:16)

Infelizmente, a Justiça do Trabalho, às vezes, se torna a In-Justiça do Trabalho prejudicando os empregadores. Dessa forma, se o empregado abrir processo contra o patrão, terá grande chance de ganhar a causa.

Dizem que existem juízes que nem leem as defesas dos advogados patronais, mas assim mesmo condenam os empregadores. Desse jeito, não importa se o empregado furtou, agiu de má-fé, se cometeu estelionato dentro da empresa, ou se está simulando uma doença que nunca teve, pois o empregado é o “pobrezinho” explorado sempre pelo crápula do patrão.

Claro que existem juízes honestíssimos e empregados que também são explorados, mas, infelizmente, tive uma funcionária que assinava documentos como se fosse eu e, entre outros, me furtava.  Ela embolsava o dinheiro do INSS e me jurava que o estava pagando. Tenho uma declaração dela por escrito confessando seu crime. Ela embolsava também o dinheiro o FGTS e outros mais.

Mas, graças a Deus, uma de minhas filhas descobriu a “maracutaia” e  a pegou em flagrante furtando todos os arquivos do meu consultório, pois ali estavam inúmeras provas da barbárie que ela vinha cometendo com o apoio do “maridão”. E o pior é que os mesmos são crentes assembleianos. Bem que Jesus explicou que, no meio da Igreja, existem o joio e o trigo.

Devido ao fato, protocolei um BO e dei justa causa à “santinha”. Ela, por sua vez, colocou-me na Justiça do Trabalho. Quer 15 mil reais de indenização, mas, no dia da audiência,  não levou testemunhas e nem solicitou dano moral. Muito estranho!

A “santa” ganhou na 1ª instância. Recorri, para a 2ª, não antes de depositar, em juízo, 8 mil reais e, por isso, tive que fazer um empréstimo de 5 mil reais. Na 2ª instância, ela também ganhou e meu advogado nem foi comunicado. Essa “santinha” está respondendo, na Vara Criminal, por crime de estelionato, falsidade ideológica, furto e abuso de confiança, com o agravante de ter praticado todos esses crimes contra uma idosa.

Mas, quem sabe, um dia os empregadores que estão sendo injustiçados vão ter a quem recorrer? Será que poderemos contar com o Guardião da Constituição Federal, o tão famoso STF? Claro que não, né? Então a esperança é mesmo no Supremo Tribunal do Trabalho, mas para recorrer àquela instância, eu teria que depositar mais 7 mil reais. Aí, sabe de uma coisa? Vou confiar em Deus, pois Ele é o meu Senhor e nada me faltará.

*Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT, técnica de Segurança no Trabalho e pós-graduada em  Perícias Médicas e Saúde Pública
https://www.facebook.com/marlene.de.andrade47
(95) 36243445
--------------------------------------

Que é que estão fazendo com ele? - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Brasil, esse colosso imenso, gigante de coração de ouro e músculos de aço. Que apoia os pés na região Antártica, e que aquece a cabeleira flamejante na fogueira dos Trópicos. Colosso que se estendesse um pouco mais os braços, iria buscar as neves dos Andes, para com elas brincar nas praias do Atlântico”.

O Brasil tem tudo para ser uma potência mundial. Tudo, menos administradores competentes. Ainda vivemos nos tempos das boiadas; dos coronéis. Ainda não aprendemos a nos valorizar no que somos e nos mostram que não somos. E acabamos não sendo. Mas até quando? Como será que estamos sendo vistos, mundo afora? Será que isso não tem importância, na época em que vivemos? Pense nisso. Mas não é só nisso que devemos pensar. Não nos esqueçamos de que somos responsáveis pelo mundo em que nossos descendentes irão viver.

Mas não iremos resolver os problemas do Brasil, centrados nos problemas brasileiros. Só seremos competentes se nos concentrarmos na solução. E esta está em cada um de nós. Afinal, somos ou não somos filhos de um País continente? E por que continuarmos agindo e vivendo como se não tivéssemos nenhum valor? Então vamos fazer nossa parte para melhorar o que só tende a piorar. E vai, se nós não melhorarmos. E só melhoraremos se mudarmos nossos modos de pensar. Então vamos mudar. Afinal de contas, temos esse poder em nós mesmos. “Se você acha que pode você está certo. Se acha que não pode, está igualmente certo”.

É simples pra dedéu. É só você se valorizar no que você é. E você é um ser de origem racional, com o mesmo poder que tem qualquer outro ser com a mesma origem que você. Sua força está na sua mente e não no seu físico. E sua mente é você quem a dirige. Você pode a dirigir tanto para o bem quanto para o mal. E você não está dirigindo-a nem para um lado nem para o outro, se ficar na inércia, diante dos males que cercam você, e você se intimida. Faça o melhor que você puder fazer para tirar seu País do lamaçal em que dirigentes incompetentes estão colocando-o. E, embora seja difícil, é muito simples. É só você acreditar em você, no seu poder como cidadão e criar sua cidadania que os maus administradores tentam camuflar no baú da desonestidade. E aí está uma batalha sadia e silenciosa que não exige barulho nem disputas. A sabedoria, a competência e o amor são os instrumentos mais eficientes para vencer essa luta macabra da negra inconsciência. Façamos nossa arte como ela deve ser feita: com amor e racionalidade. Somos todos de origem racional. Temos todos, o mesmo poder racional para viver com racionalidade. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460     

Comentários
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!