Por Opinião
Em 07/12/2017

À luta contra a violência - Felipe Santa Cruz*

As recentes declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, alegando que os comandantes dos batalhões da Polícia Militar do Rio de Janeiro são “sócios do crime organizado”, ampliam o estado catatônico e a cada dia mais conturbado da segurança pública. Sem citar nomes, o ministro ainda afirma que membros do Poder Legislativo dominam, nos moldes de um titereiro, as nomeações de postos-chaves do Executivo. O Governo Estadual desmente.

Se verdade ou ficção, só o tempo trará a resposta. Entretanto, assertivas dessa natureza ajudam a corroer qualquer esperança ou crédito quanto à atual política de segurança.

A declaração atribuída ao ministro da Justiça é gravíssima e expõe a situação de esvaziamento e total impotência do governo estadual. A crise da segurança no Rio demanda ação coordenada entre os diferentes níveis de poder. Infelizmente, parece não haver nenhuma possibilidade de reação por parte do Executivo do estado.

A questão também toca em um ponto que deve ser investigado: até onde a sombra do crime se estende sobre aqueles que deveriam preservar a Lei. Se não há indícios da total contaminação da cúpula de comando, há notórios exemplos de milicianos em diferentes áreas da cidade.

O único fato concreto é que, nesse lamentável tiroteio de denúncias e acusações, a vítima – uma vez mais – é o cidadão do Rio.

Os números refletem o trágico cenário: recorde de mortos, entre policiais até o momento e cidadão comum (2.942 vidas, só nos primeiros cinco meses do ano); escolas fechadas (contam-se nos dedos em quantos dias a rede abriu 100%); diluição das UPPs; lentidão no julgamento de casos envolvendo agentes militares; entre outros.

A solução para sair deste cenário é a mobilização da sociedade civil, de forma consciente, para influenciar a condução das políticas de segurança pública no estado. É urgente a discussão de temas e questões que muitas vezes acabam negligenciados ou mesmo obstaculizados durante as disputas eleitorais.

Dentro de seu papel democrático, a OAB/RJ convida os segmentos e representações da população a construir, por meio do diálogo respeitoso e propositivo, uma nova agenda para a segurança pública no Rio. É preciso debater o uso de inteligência e tecnologia no enfrentamento ao crime; refletir sobre políticas públicas transversais de prevenção da violência, além de buscar respostas para o problema do financiamento das políticas de segurança.

Da mesma forma, é indispensável advogar em favor de um novo arranjo federativo, que permita a colaboração entre os entes da federação e, claro, enfrentar o tema da produção legislativa visando a adaptar a legislação penal ao atual contexto social do país.

Em meio à crise política e econômica de grandes proporções, que afeta, sobremaneira, a ação do poder público estadual, é preciso que a sociedade exerça seu protagonismo na busca por soluções.

*Presidente da OAB/RJ


Corrupção. Até quando? - Flamarion Portela*

Na semana passada, no Rio de Janeiro, os procuradores da República que integram as forças tarefas da Operação Lava Jato se reuniram para avaliar as formas de atuação, tecnologias empregadas nas investigações e fatores que estimulam a corrupção no país.

Como resultado do encontro, foi produzido um documento chamado de Carta do Rio, que aponta a necessidade do aperfeiçoamento da legislação no combate à corrupção no Brasil e incentiva a sociedade a acompanhar o desempenho dos parlamentares da atual legislatura e a incluir o critério da anticorrupção nas escolhas dos governantes e legisladores, sobretudo do Congresso Nacional.

Em um dos pontos da Carta, os procuradores destacam que a luta contra a corrupção depende essencialmente do Congresso, e é preciso que a sociedade continue atenta aos movimentos dos atuais parlamentares, manifestando-se contra qualquer tentativa de dificultar ou impedir as investigações criminais de pessoas poderosas.

De acordo com o documento, desde 2014, a Lava Jato vem revelando que a corrupção no Brasil está bastante disseminada no modo de funcionamento do sistema político nas esferas federal, estadual e municipal e que cargos públicos de chefia são loteados por políticos e partidos para a arrecadação de propinas.

Na Carta, os procuradores concluem que o dinheiro que enriquece criminosos e financia campanhas deturpa a democracia, gera ineficiência econômica, acirra a desigualdade e empobrece a prestação de serviços públicos.

“A eleição de deputados federais e senadores é que determinará se existirão retrocessos na luta contra a corrupção e se existirão reformas e avanços que possam fazer o país mais justo e com índices efetivamente menores de corrupção e de impunidade”, afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol.

O juiz Sério Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, apontou que a eliminação da corrupção precisa partir dos brasileiros. Para ele, ainda não se vê, na sociedade, um movimento empenhado em mudar práticas de corrupção. “Não quero assumir uma bandeira política, falo isso como cidadão”, afirmou.

Pessoas que estão atoladas até o pescoço com envolvimento em atos de corrupção deverão ser extirpadas da política. Roraima e o Brasil precisam dar um basta. Seja você um elo dessa corrente de união contra a corrupção!

A arma mais poderosa é o voto e depende só de nós. A escolha é nossa. Os canalhas, ladrões do dinheiro público, que é nosso, não podem e não devem nos representar.

Deixo a seguinte reflexão. Se o seu colaborador é eficiente e faz todas as tarefas da sua casa, mas no final do dia ele lhe rouba, você quer continuar com ele?

*Deputado estadual e ex-governador de Roraima


COMPAIXÃO NO VOLUNTARIADO - Vera Sábio*

Existem serviços que precisam do voluntariado; mas há outros que não sobrevivem, não existem sem o voluntariado. Por isto é necessário entender e ter compaixão e empatia pelas pessoas.

Compaixão: ato de compartilhar a paixão, ou seja, a dor alheia. Compreendendo que o que acontece com o outro pode a qualquer momento acontecer conosco.

O voluntariado, embora seja um serviço de amor ao próximo, tem seus comprometimentos e não deve ser realizado apenas quando se quer; mas porque se quer.

É preciso despertar dentro de si a vontade de servir, na qual gere um sentimento de paz, de plenitude, de amor; não havendo dinheiro algum que os pague.

Sempre existem locais e pessoas a serem ajudadas, basta se libertar do egoísmo e administrar o tempo, incluindo estas ações fundamentais.

A doação de sangue, por exemplo, é um serviço totalmente voluntário e extremamente necessário. Pois ao se conscientizar que o sangue salva vidas e que podes gratuitamente oferecer o que gratuitamente recebes, já que isto não lhes fará falta. Pelo contrário, para aquele que sofre um acidente ou por outros motivos precisa de sangue, pode ser seu gesto, que o deixe vivo.

A doação de leite materno é também um gesto voluntário que salva vidas prematuras e frágeis, sendo apenas uma gotinha deste precioso leite, capaz de possibilitar um futuro diferente para aqueles que já nascem lutando pela vida.

Fora estes dois serviços vitais, temos diversos outros serviços voluntários, possíveis de qualquer pessoa fazer.

As roupas que já não servem, ou que não quer mais, o calçado que ainda está bem bom; algum alimento àquele que passa fome, atenção a um idoso, carinho às crianças, visitas em hospitais, asilos, associações de pessoas com deficiências, abrigos, orfanatos, etc.

São doações fáceis com gestos práticos, simples e rápidos que fazemos sem perceber e que dá ânimo, alegria e conforto a pessoas sem condições de sobreviverem sem a sua ajuda e principalmente sem o seu olhar amoroso.

O bem feito nos é retornado em bênçãos muito bem pagas, pela satisfação de servir. Dê o primeiro passo em direção ao próximo e sentirás o quanto o serviço voluntário é gratificante.

*Psicóloga, palestrante, servidora pública, esposa, mãe e cega
CRP: 20/04509
vera.sabio@tjrr.jus.br


Buscando as origens - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Nossa originalidade, nosso potencial de vida, precisa de corpos totalmente livres, disponíveis, desbloqueados, para se exprimir.” (Roberto Freire)

Se levarmos em conta a nossa origem, não podemos viver nem ficar sob o domínio de quem quer que seja. Nunca seremos seres livres e donos de nós mesmos enquanto vivermos dirigidos por pensadores que não pensam.

São os que a primeira coisa que fazem é tirar nosso direito de pensar. E quando não somos capazes de dirigir nossos pensamentos não somos capazes de viver. São os que passam pela vida, mas não vivem. E, infelizmente, a esmagadora maioria dos seres humanos vive nesse curral mental.

Ainda não sabemos dirigir nossas vidas. Não somos capazes. Ainda não aprendemos o caminho da racionalidade. Se não nos dirigirem não encontraremos o caminho que não nos leva a lugar nenhum. E como não sabemos para onde ir continuamos dirigidos pelos que também não sabem para onde vão. Preferimos acreditar no que nos dizem para acreditarmos. E não pode haver firmeza nessa crença. E só seremos realmente firmes e fortes no caminho da evolução racional, quando aprendermos a pensar racionalmente.

Somos todos da mesma origem. Viemos todos do mesmo Universo Racional. Chegamos aqui porque quisemos vir por livre e espontânea vontade. Pelo mais racional dos comportamentos: o livre arbítrio. Chegamos e ficamos. Mas temos que voltar. Quando e como, vai depender da nossa evolução racional que depende da nossa liberdade de pensamentos. E não a teremos enquanto ficarmos permitindo que os outros pensem por nós. Assim não viveremos na marcha do progresso a regresso. Então, cabe a cada um de nós saber o quanto somos poderosos em relação ao nosso desenvolvimento racional.

A racionalidade nos indica que somos todos iguais nas diferenças. Então vamos respeitar as diferenças para que haja a caminhada para a igualdade racional. E não a conseguiremos enquanto ficarmos brigando pela igualdade. Só seremos iguais, na racionalidade. E esta está na nossa grandeza revelada pelos nossos pensamentos racionais. E se são racionais são positivos. E não podemos pensar positivamente deixando que os outros nos digam como, em quem, e o que devemos pensar.

O poder de Deus está dentro de nós. E não precisamos nem devemos ir buscar essa verdade fora dos nossos próprios pensamentos. Basta pensar positiva e sadiamente para alcançar o caminho para a imunização racional, sem a qual nunca alcançaremos nosso mundo. E lá não há unidade de tempo. O tempo que passarmos por aqui é problema de cada um de nós. Então vamos ser racionais para sermos independentes. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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