Por Opinião
Em 06/02/2018

Um anjo chamado Romeu - Walber Aguiar*

O que fizerdes a um destes pequeninos, a mim o fizestes...

Três horas da madrugada. Uma figura atravessou a rua, caminha na direção do posto médico. Barba por fazer, roupa simples, coração entregue ao silêncio da noite. Romeu não temia o desconhecido, temia apenas a ingratidão e o desprezo. Depois de dormir no posto da Mecejana, ele enfrentou a fila e o mau humor de atendentes despreparados. Também de gente disposta a servir com ternura e compreensão.

Contudo, ele seguiu sua missão: levantar os feridos e humilhados, estimar os velhinhos e crianças, sorrir para os estranhos como se conhecidos fossem. O dia amanheceu. Romeu esfregou os olhos e massageou o afeto.

Esteve em paz consigo mesmo; carregou no coração a simplicidade e o desejo de ajudar, a vontade de transformar a dura realidade daqueles que não tem a quem recorrer nas horas da dor e do desamparo.

Mesmo doente, não trocava seus favores por dinheiro, mas recebia qualquer coisa que viesse sob o signo da generosidade. Andarilho, sabia reconhecer um sorriso sincero. Fez amizade com todos, tratou de mano e mana, tio, tia, pai, mãe, na tentativa de compensar o vazio afetivo que carregava no peito.

Romeu não precisava mentir, trair, enganar, se corromper, como fazem os homens públicos que desconsideram os desgraçados fora do período de eleição. Ele vai fazer muita falta, na hora do bom papo, da profundidade filosófica, da consulta a ser marcada para os que não enxergam, não ouvem, não conseguem andar direito. Para aqueles de coração adoecido e mente confusa. Para os que frequentam o bar do Mineiro, do Bispo e caminham pelas ruas do Mecejana e do Cambará.

Cansado de curtir e ser curtido pela solidão urbana, ele, à semelhança de Thoreau, filósofo norte-americano, foi à floresta porque queria viver intensamente. Ironicamente, foi tragado por ela; perdeu-se onde mais desejava se encontrar.

Seu corpo foi coberto pelo barro vermelho do “Campo da Saudade”, sua alma leve voou para o “céu dos samaritanos”.

Descanse em paz irmão. Seu nome vai ficar entre nós como uma lenda viva. E quando o vento frio da madrugada soprar no rosto dos velhinhos esquecidos, dos andarilhos errantes, dos bêbados e enlouquecidos pelo amor, alguém lembrará de você com ternura, saudade e devoção. Tchau, um abraço...

*Poeta, professor de filosofia, historiador, membro do Conselho de Cultura, advogado e membro da Academia Roraimense de Letras
wd.aguiar@gmail.com


O fim se aproxima - Marlene de Andrade*

Há vinte e dois anos atrás quis residir na Austrália, um país que eu considerava modelo. Àquela época, no Rio de Janeiro, começaram a ocorrer alguns assaltos que me assustaram muito, nada, evidentemente, comparado com o que se vê hoje. O nível de violência era muito menor, não só no Rio, como no Brasil todo. Apavorada com algumas notícias que chegavam comecei a pensar em sair do Rio para viver em um lugar mais “tranquilo”.

Uma colega de profissão me desaconselhou ir para Austrália levando três filhas menores e me fez ver que residir no Norte seria muito mais certo e sensato. Soube então, que Roraima era tranquilo e bem ventilado e por isso decidi vir morar nesse tão querido Estado.

Nessa época eu era agnóstica e achava que Austrália era o melhor lugar do mundo para eu viver. Que tolice! Ora veja só, neste mês de dezembro, naquele país, aconteceu algo estarrecedor, pois sete crianças foram assassinadas por motivo torpe e profundamente cruel. Manoara, onde ocorreu essa chacina, é um local marcado pela violência. Esses assassinatos chocaram, profundamente, a comunidade internacional. E o pior é que os australianos estavam tentando se recuperar de outra tragédia, a tomada de reféns em um café de Sydney, ocasionando a morte de dois reféns e a do sequestrador. Quanta barbárie em tão pouco tempo!

Jesus nos assegurou que no futuro o amor de muitos se esfriaria (Mateus 24:12). E o que vemos hoje senão isso mesmo ocorrendo pelo mundo afora? As pessoas vivem mal humoradas e estão cada vez mais desestruturadas pelos conflitos familiares. Por sua vez, o divórcio aumentou bastante e o que se vê hoje como resultado desses conflitos, são pessoas revoltadas, caminhando pela contramão da ética e dos bons costumes.

Além do mais, nas sociedades em geral, uma grande parte das pessoas vivem desvalorizadas e sem expectativa de uma vida melhor. A maldade se multiplicou no coração de muitos de uma forma inimaginável. Uma grande parte das pessoas, por este mundo afora, estão muito perdidas e desconhecem o amor.

A cada novo dia, os sinais do fim dos tempos e da volta do Senhor Jesus, tornam-se mais intensos e evidentes. Não adiantaria de nada eu ter ido residir na Austrália, ou em qualquer outro lugar do mundo, a fim de me livrar da violência urbana. Tudo só vem piorando e a terra só será restaurada quando Jesus voltar.

“Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.” (Apocalipse 1:7).

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho


O futuro colhe tudo o que plantarmos no presente - Vera Sábio*

Somos um Estado com orgulho do passado e sem grandes perspectivas de bom futuro. Onde muitas coisas boas aconteceram e diversos fatos ruins estão acontecendo, prevendo um futuro bem desagradável.

Cadê a educação? Visto que os índices apontam este Estado com grande evasão escolar. Onde alunos fumam, bebem, usam drogas, contaminam-se por doenças sexualmente transmissíveis, tornam-se pais e mães solteiros e diversos familiares nem sabem onde os alunos estão, nem durante o tempo das aulas e nem no restante do dia.

A juventude é o futuro do país. O que estamos plantando, cuidando, regando e cultivando, para colhermos depois?

Até quando iremos fechar os olhos para os inúmeros absurdos ocorridos com nossas crianças? Onde está a responsabilidade dos gestores, pais e cuidadores?

O que cresce solto, sem amor, podas e vigilância são pragas e ervas daninhas; já as crianças e jovens têm direitos constitucionais que exigem que sejam amadas, protegidas, educadas e vigiadas para que nenhum mal lhes aconteça.

Precisa ter com maior eficiência, toda punição a qualquer violência contra acriança e adolescente; considerado como violência: a falta de prudência, o descuido, o abandono, o consumo de álcool, cigarros e drogas, tudo que degrada, desrespeita e formam novos infratores.

Somos um Estado pequeno, para o aumento desfreado da população, agora com tantos imigrantes que também precisam do nosso acolhimento. Aumentando ainda mais a falta de saúde, educação e segurança.

E no ano passado foi constatado que os próprios familiares em mais de 70% dos casos, não se preocupam onde seus filhos estão e o que fazem, no período escolar.

Portanto é bom antes de começar as aulas; já planejarmos um tempo para acompanhar o desenvolvimento escolar. Como também as escolas se preocuparem mais em levar todos os fatos ocorridos para os pais e responsáveis.

Não permitindo que nas escolas existam drogas lícitas e ilícitas, namoros indecentes, furtos, preconceitos, bullying e falta de educação, ocorrente entre os alunos.

Pois enquanto os políticos, a polícia, os gestores, os diretores e os pais fizerem vistas grossas diante de fatos errados, viveremos com saudade de um passado que não volta; onde o futuro será cada vez pior.

"Serei cobrado pelo meu Senhor, por tudo que eu fizer e pelo que eu não fizer ao meu irmão".

A justiça divina existe e é construída pela justiça humana.

*Psicóloga, palestrante, servidora pública, escritora, esposa, mãe e cega com grande visão interna.
CRP: 20/04509
vera.sabio@tjrr.jus.br


Respeitemos a política - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Os partidos nacionais são arapucas eleitorais e balcões de vendas.” (Afonso Arinos)

Sinceramente, preocupo-me quando vejo alguém esbravejar contra a política. Uma falta de conhecimento político. A política é o que é e inatingível. O descaramento está nos políticos e não na política. Políticos que nem sempre são políticos. São os que vivem da política, mas sem respeitá-la. E, por incrível que nos pareça, muitos deles nem mesmo sabem o que é política. Pode até lhe parecer que estou falando potocas. Mas se você estiver pensando assim, cuidado. Veja se você está realmente consciente do que está fazendo quando sai de casa para eleger seu candidato.

Somos nós, eleitores, os únicos responsáveis pelos desmandos. Não nos esqueçamos de que todos os bandidos que estão indo para a cadeia por desvio na política não prestaram concurso para o cargo que ocupavam; foram eleitos pelos ingênuos que ainda acreditam que são cidadãos. Ainda ficam felizes quando ouvem os corruptos dizerem que vivemos uma democracia. Eles não permitem que os professores despreparados nos digam que não há democracia com a obrigatoriedade do voto. Nem permitem que lutemos pelo voto facultativo. Não permitem que nos digam que na democracia o cidadão vota por dever de cidadão, e não por obrigação.

Vamos acordar e fazer com que sejamos vistos como cidadãos e não como marionetes de políticos corruptos. Vamos nos respeitar. Sejamos mais honestos conosco mesmo. Porque só assim conseguiremos tirar nosso País do lamaçal em que nós mesmos o atiramos. Vamos ser mais responsáveis e corrigir esta distorção. E só conseguiremos isso quando nos conscientizarmos de que os responsáveis pela bagunça somos nós, eleitores; que ainda não sabemos escolher com dignidade, nossos representantes nos poderes públicos. Vamos nos civilizar politicamente para que tenhamos uma política com partidos não considerados arapucas nem balcões de vendas.

Vamos trabalhar pela nossa cidadania. Para que possamos ser considerados cidadãos de fato, pelos que devem nos respeitar. E o candidato despreparado não merece nosso voto. Cuidado com o candidato que tentar comprar seu voto. Ele pode estar fazendo isso, mesmo lhe oferecendo um emprego. Procure se informar melhor sobre a política para que possa exercê-la com dignidade. Porque a dignidade não está só em votar, mas em votar com dignidade. As eleições estão aí. E você, onde está? No alicerce da razão ou na gangorra da ignorância política? Escolha seu candidato respeitando a sociedade que ele irá representar, com o seu voto. Quem não respeita não merece respeito. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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jesse@folhabv.com.br
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