Por Opinião
Em 04/11/2017

Azul desbotado - Mário Maciel Junior*

Estamos mergulhados mais uma vez no décimo primeiro mês do calendário gregoriano, contemporaneamente recém-batizado de novembro azul. Com um toque poético o azul da harmonia e da tranquilidade, enfim; o mês alusivo à saúde do homem.

Desde sua criação em 2003 na Austrália (“movember”) e sua chegada ao Brasil anos depois, várias ações e campanhas intensivas têm sido realizadas no intuito de sensibilizar os homens quanto ao câncer de próstata, testículo e desordens psíquicas.

Compreender os segredos e mistérios que envolvem a saúde masculina continua sendo um grande desafio para os pesquisadores e estudiosos no assunto.

Ardilosamente observamos que os números com relação às doenças cardiovasculares, acidentes de trabalho, sedentarismo, obesidade, vícios (tabagismo, opióides, álcool) e suicídios são um terremoto nas estatísticas negativas para o gênero masculino.

A ciência médica tem demostrado grande salto nas conquistas com relação aos diagnósticos, vacinas, antibióticos, novos quimioterápicos, marcadores tumorais, tratamento alvo molecular e a medicina personalizada; porém ainda não estamos conseguindo fazer com que os homens rompam suas barreiras intimistas da resistência em buscar suporte com os profissionais da área da saúde. Os homens, a meu ver, encontram-se desnutridos emocionalmente e com suas motivações mal resolvidas. Isso justifica seu comportamento arredio do autocuidado.

A historiografia da humanidade nos mostra que o homem sempre esteve ligado à virilidade, força, autossuficiência, invulnerabilidade e provedores exclusivos. Essas máximas ancestrais refletem no mundo atual, onde nos bolsos masculinos transbordam esses fragmentos antropológicos altamente enraizados e culturalmente expressados em nosso cotidiano.

Apesar das divulgações da campanha em locais público-privados decorados com ornamentos azuis Royal, faixas em campos de futebol, monumentos iluminados do azul celeste, profissionais da saúde com bigodes excêntricos, camisetas estilizadas, corridas de rua entre outros; os comportamentos dos homens, em geral, com relação a sua saúde; são de um enorme desalento.

Pesquisa realizada por uma poderosa indústria farmacêutica alemã demonstrou que 41% dos homens com mais de 50 anos não fizeram seu check up prostático no último ano aqui no Brasil. A Universidade de Harvard seguindo a mesma linha investigatória constatou que 60% dos homens acima de 50 anos de idade nunca foram avaliados com relação ao câncer de cólon nos EUA. Esses dados demonstram que mesmo em países de primeiro mundo e em desenvolvimento o descaso do homem com sua saúde é indizível.

Um estudo publicado no ano passado (2016) pelo nosso grupo de pesquisa em saúde masculina, após investigarmos quase 600 homens roraimenses; constatou que 42% deles estão com sobrepeso, 14% hipertensos (sem o conhecimento pregresso da hipertensão arterial) e mais da metade não realizam atividades físicas. Observou-se ainda que os indivíduos divorciados ou viúvos e de baixa escolaridade possuem um alto risco de evento cardiovascular nos próximos 10 anos. Dados esses que preenchem as páginas cinzentas dos números desfavoráveis à saúde dos homens brasileiros.

A fraternidade cibernética está altamente valorizada através das mídias sociais e afins causando uma ruptura dos relacionamentos humano. O calor da amizade está sendo derrotado pelos pixels das telas dos equipamentos eletrônicos. Notadamente observamos um momento de individualismo e solidão onde os distúrbios da ansiedade, depressão e o suicídio se apresentam de forma implacável na atualidade. Mais uma vez os números apresentam-se fortes tendo os homens como líderes do ranking dessa lista de mazelas psíquicas-emocional.

As forças dos argumentos são robustas no que tange a saúde masculina, o que não podemos é deixar os homens se decomporem vivos, tornando-se mortos-vivos. Lutar contra essas más inclinações do cuidar-se deve ser a grande contribuição no momento atual.

Esperamos que o azul esquálido e desbotado do atual novembro masculino receba uma nova repaginada de tinta nos próximos tempos, trazendo dados epidemiológicos novos, satisfatórios e alentadores. Aguardaremos portanto, o imponente e brilhante azul-esperança.

*Médico Urologista e Professor Universitário


Os sistemas geralmente vencem - Oscar D'Ambrosio*

Quantos filmes búlgaros você viu? Se a nossa curta existência terrena permitir, veja pelo menos um: “Glory”. Dirigido e escrito por Kristina Grozeva e Petar Valchanov e selecionado como representante do seu país ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2018, traz uma narrativa poderosa e muito própria dos países em desenvolvimento.

O protagonista, ferroviário, encontra uma grande quantia de dinheiro nos trilhos do trem e o entrega à polícia. Num país em crise, é transformado em herói nacional e recebe como presente um relógio de pulso da marca que intitula o filme. Antes da cerimônia, a organização do evento pede para ele retirar o relógio que utilizava, presente do pai.

E aí começa o drama. O relógio pelo qual tinha imensa carinho é perdido pela responsável pelo departamento de relações públicas do Ministério dos Transportes. À medida que ele a pressiona para reaver o objeto, a funcionária oficial se descontrola. Os dois excepcionais atores conduzem essa história de sofrimento dentro de um sistema falido.

O ferroviário, gago, mal consegue se comunicar. Marginal à sociedade, afunda na solidão e preconceito. A assessora, pressionada no trabalho e fazendo tratamento para ser mãe, funde seu lado profissional e mulher com dificuldade. A última cena, genialmente filmada, mostra que, ao final, os sistemas, por pior que sejam, geralmente vencem. E geram dor para todos.

*Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp


“Sardade marvada” - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“O tempo não para. Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo.” (Confúcio)

Sentiu saudade nesse fim de semana? Só sente saudade quem foi feliz. E se é assim por que ficar triste com a saudade? Por que chorar quando ela chega? Ao contrário, procure viver cada momento de saudade com felicidade e alegria. Se sentiu saudade é porque o momento passado foi feliz, então se sinta feliz. O tempo não para. Ele vai passando o tempo todo. E é por isso que cada momento deve ser vivido como se fosse o último. Se você viver com felicidade vai sentir saudade, sempre, do momento vivido. E é por isso que você não deve perder seu tempo com coisas e momentos desagradáveis.

É simples pra dedéu. É só você se valorizar e não se deixar levar pela marola do engano. Se o que está acontecendo não lhe trouxer momentos de saudades no futuro, não perca tempo com o que acontece. Jogue tudo pra escanteio. Sua superioridade está nos seus pensamentos. Se você se sabe superior não há como ser inferior. Então, decida-se. Você é o que você pensa. Mas cuidado, você nem sempre é o que pensa que é. O que indica que a modéstia não é uma falácia.

Sua semana está se iniciando. Aproveite-a para ser feliz. Procure lembrar-se da semana que passou apenas o que lhe trouxe felicidade. E mantenha a lembrança até que ela se torne saudade. E para isso é preciso que você vá se esquecendo do momento passado, com amor. Mas, cuidado. A vida não é só de momentos agradáveis. O que exige que sejamos racionais para saber o que nos interessa e o que devemos descartar. E o que deve ser descartado não deve ser lembrado. Tenha um bom dia de trabalho, hoje, seja o que quer que você faça como sua tarefa profissional. Procure viver na racionalidade. Ela é muito simples. Tão simples que nem todos os seres humanos conseguem entender.

Mas chega de filosofia de botequim e vamos racionalizar. O importante é que você viva cada momento do dia de hoje como ele deve ser vivido. Sua felicidade está no que você faz como deve ser feito. Ame-se e viva cada momento de sua vida para a felicidade dos que vivem para o futuro. E seu futuro é você quem constrói. Porque é no futuro que está o baú das lembranças para devolvê-las como saudade. Por isso viva feliz para merecer o prêmio da saudade. E quando ela chegar abrace-a, ria, cante e viva cada momento como você o viveu antes de ele se transformar em saudade.

Inicie sua semana preparando cada dia para ser vivido com racionalidade. É no caminho da racionalidade que caminhamos mesmo sem saber aonde ir. Mas o sapo da Alice vai lhe alertar sobre que vereda tomar. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1461

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