Por Jessé Souza
Em 20/10/2017

Nova linguagem e novo regime

Cenas de um filme repetido. Para se livrar de ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez por formação de quadrilha e obstrução à justiça, o presidente Michel Temer (PDMB) de novo abriu as torneiras de benesses a parlamentares de todas as matizes, inclusive os políticos fazendeiros que costumam ter trabalhadores em regime de escravidão.

Além de cargos públicos e liberação de emendas orçamentárias que ultrapassam os R$ 200 milhões, também ajudou a salvar o pescoço do senador Aécio Neves (PSDB), pego com a mão na mala de dinheiro e que havia sido afastado do cargo.

Como ocorreu na primeira denúncia, arquivada na Câmara Federal, essa farra vai para a conta do povo outra vez. Pelo que se desenha até aqui, esta segunda denúncia deverá ser arquivada também, confirmando que o Brasil é o país da bandalheira e que não há mais nenhum pudor por parte daqueles que estão se lambuzando com esse butim oficial.

O que chama a atenção é o silêncio total da sociedade, que é capaz de se indignar com a derrota do seu time de futebol de coração, mas não está nem aí para a patifaria política em que parlamentares investigados pela Operação Lava Jato se congratulam com Temer e Aécio, os dois maiores símbolos da vergonha nacional.

Não se trata apenas do uso do dinheiro público de forma descarada, mas de decisões colocadas nessa jogatina do poder que retira direitos sociais conquistados sob muito suor e lágrima ao longo dos últimos anos, a partir da Constituição de 1988.

Mas quem se importa com isso? Os movimentos sociais perderam força, a partir da derrocada do lulismo, e o povo da panela, da camisa da Seleção brasileira e da dancinha do impeachment está ocupado discutindo moral e bons costumes nas redes sociais e monitorando exposições nos museus, onde eles nunca haviam colocado os pés antes.

A corrupção tornou-se a língua oficial falada entre Congresso e o Governo Federal, com as bênçãos do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos alguns integrantes agem como se fossem advogados e intérpretes dos patifes. Nesse idioma oficializado no país, os pequenos patifes Brasil afora se proliferam não só na política, mas em toda sociedade.

Então, está oficializada a patifaria no país, o novo sistema político, onde gente honesta virou motivo de piada e, na política partidária, só entra quem souber falar fluentemente a língua da corrupção, inclusive com a garantia de blindagem para se livrar das garras da Justiça, esta cada vez mais cega quando se trata de pegar os patifes.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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