Por Jessé Souza
Em 18/09/2017

Nem imposição nem Inquisição

Na falta do que fazer no cumprimento do seu papel para o qual foram eleitos, os vereadores de Boa Vista aprovaram um projeto de lei que autoriza a leitura da Bíblia nas escolas municipais.  Como a sociedade vem entrando num processo de conservadorismo e hipocrisia, obviamente que o tema logo suscita uma polêmica, que logo será esquecida nas redes sociais.

Mas o importante a destacar nesse episódio é que os vereadores parece não compreenderem que a finalidade da escola é transmitir conhecimento. O papel de educar é da família, embora muitos pais tentem empurrar para os professores esse papel e a escola chame para si essa responsabilidade ao receber alunos com graves deficiências em seus hábitos e comportamento devido à ausência da família.

A educação religiosa se aprende no seio da família, onde os pais que tenham um credo levam seus filhos para a igreja desde pequenos, a fim de conduzi-los nesse caminho da fé. Quem impõe uma religião são países extremistas, inclusive praticando atentados em nome de Deus, explodindo pessoas pela fé vingativa que só existe em uma mente extrema.

Os professores já estão sufocados e ainda passam a ser cobrados para que também assumam o papel que deveria ser dos pais; e não é papel dele nem da escola, principalmente em um país laico, ficar lendo a Bíblia para que as crianças se tornem pessoas melhores no mundo.
A lógica será o Executivo vetar esse projeto da leitura Bíblia, uma vez que misturar religião com transmissão de conhecimento é impor à escola mais um viés que foge ao seu papel principal, que é a transmissão de conhecimento. A propósito, o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda está discutindo a legalidade do ensino religioso na educação brasileira.

Importante destacar que o significado de Estado laico não é um Estado ateu, por isso não é proibido falar de Deus em sala de aula, desde que isso não seja uma imposição, uma lei, como se não ler a Bíblia em sala de aula fosse algo passível do fogo do inferno. Ninguém quer abolir Deus da vida das pessoas, mas apenas que a fé não seja uma imposição, nem uma Santa Inquisição.

Os vereadores têm mais o que fazer para contribuir com as crianças, lutando pela educação infantil para que elas tenham creche desde cedo, por projeto de inclusão social, por melhores condições para que a sociedade não largue seus filhos ao descaso enquanto pais e mães precisam trabalhar para sustentar a família. Mas nem fiscalizar, que é seu papel também, os vereadores estão cumprindo como deveria.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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