Por Jessé Souza
Em 14/10/2017

Não há mais desculpa

As eleições de 2018 representarão um marco na política brasileira pós-Lava Jato, uma vez que a fratura exposta revelou o que havia de mais fétido no país da corrupção, com grandes empresas, em conluio com parlamentares de todos os níveis, se locupletando dos recursos públicos. É a revelação de que o Brasil precisa se livrar do capitalismo corrupto que banca os políticos a cada eleição.

Com a criação de um fundo público bilionário, agora é o contribuinte que vai bancar a campanha eleitoral, mas ainda há muita dúvida de como será esta nova realidade, se os políticos continuarão mantendo a lógica do mercado que financia os candidatos para que lá na frente as grandes empresas sejam beneficiadas, conforme revelou a Lava Jato.

A lógica do poder até aqui é também a busca por dinheiro, com uma população que não conhece os partidos e suas estruturas, principalmente aqueles que serviram apenas de aluguel na jogatina partidária que faz girar a roda da fortuna na política brasileira.

Esta forma de fazer política é que tornou o país refém do clientelismo e do patrimonialismo, o que permitiu nascer uma elite altamente conservadora, que não faz questão de responder às demandas sociais nem de tomar medidas duras para retirar direitos dos trabalhadores brasileiros, tratados a ferro e a fogo por um presidente que também não liga para o fato de ser o mais impopular da História desse país.

Sem saber o que fazer, pois ele foi usado para um impeachment fabricado para que essa elite tomasse de assalto o Brasil, o povo está perdido e sem esperança, já que não há mais ânimo para se mobilizar outra vez, pois também está submetido a uma lavagem cerebral sob a bandeira da religião, da moral e dos bons costumes.

Além disso, abriu-se um fosso muito grande entre o povo brasileiro e o Congresso Nacional, que está longe da realidade e da necessidade dos cidadãos. A conclusão é que o sistema está falido. E não existe qualquer tipo de controle social e tudo isso se tornou uma incógnita, principalmente porque até na mais alta Corte judicial do país, o Supremo Tribunal Federal (STF), não se pode mais confiar.

É por isso que 2018 será o ano crucial para o Brasil, quando o povo será chamado a fazer sua parte, pois todos os cidadãos são conhecedores dos esquemas de corrupção e sabem também que vender o voto é compactuar com toda essa bandalheira que está vindo à tona pela Lava Jato. Não haverá mais desculpa lulista: “Eu não sabia de nada!”.

*Jornalista
jesse@folhabv.com.br
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Jessé Souza
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