Por Francisco Cândido
Em 02/11/2016

REPÚBLICA DA GUIANA & REPÚBLICA DO BRASIL
Famílias Melville & Ben Hart

O nome “Guiana” deriva de uma palavra indígena que significa "terra de muitas águas", conhecida também como "O País dos Seis Povos": indígenas, espanhóis, holandeses, ingleses, africanos e indianos. Sua capital é Georgetown (cidade do rei George), a “cidade Jardim do Caribe”, apesar de estar no Atlântico.

Diferente da geografia do Brasil, lá não há “Estados” e, sim: Regiões Administrativas, com os seus Distritos: Barima-Waini (Região 1), Pomeroon-Supenaam (Região 2), Ilhas Essequibo-Demerara Ocidental (Região 3), Demerara-Mahaica (Região 4), ), Mahaica-Berbice (Região 5), Berbice Oriental-Corentyne (Região 6), Cuyuni-Mazaruni (Região 7), Potaro-Siparuni (Região 8), Alto Takutu-Alto Essequibo (Região 9/ Região do Rupununi) e Alto Demerara-Berbice (Região 10).

A Guiana faz fronteira com Roraima, em Normandia, através do rio Maú, e no Município de Bonfim, através do rio Tacutú, com a cidade de Lethem.

Em 1880 aportou em Boa Vista do rio Branco, o cearense João Pereira da Silva, que, com o recurso financeiro que trouxe, construiu e instalou a Fazenda “Bom Sucesso” na margem direita do Rio Itacutú (onde hoje é a localidade de Lethem, na Guiana); e, na margem oposta do rio, onde hoje está o Município de Bonfim, instalou a Fazenda “São Salvador”.

Apôs o estabelecimento da Fronteira entre o Brasil (Bonfim, Roraima) e Lethem (Guiana Inglesa), estabelecido pelo Laudo Arbitral do Rei da Itália Victor Manuel III, no dia 06 de junho de 1904, a Fazenda Bom Sucesso (que na época havia sido comprada pelo o Dr. João Augusto Zanny) ficou para a Guiana. Tempos depois, toda a fazenda e equipamentos agrícolas foram compradas pela empresa inglesa “Companhia Dadanawa”, que tinha como gerente o “Mister” (senhor) H.P. C. Melville – o homem mais rico da região, à época.

H. P. C Melville era filho de um diácono anglicano na Jamaica, cuja origem se remetia a uma família escocesa.  Não querendo seguir o caminho do pai, chegou à área do Essequibo por volta de 1890, atraído por histórias sobre ouro na Guiana. Depois de ter ficado doente no decorrer da viagem, quando alcançou o Rupununi foi salvo por um grupo de índios Atoraiú que o adotou, e depois lhe deram duas índias irmãs, Mary e Janet, como esposas. Em 1892 ele comprou um rebanho de 300 cabeças de gado de um colono (Guillaume de Roy) que havia se estabelecido na região em 1864, e dai em diante Henry Melville tornou-se um rico fazendeiro.

 H. P. C Melville teve ao todo 10 filhos, sendo quatro com Janet e seis com Mary. E, cada filho, depois de casado, recebia como dote uma porção de terra e uma quantia de gado. Foi assim que os filhos: John se estabeleceu no Wichabai; Emy, no Pirara; Gina, no Kwakwari, Berbice; Margareth, no Manari; Edward, no Wuruamã e São José; Harry (Lallie), no Maracanã e Cristal Spring; Eleonor (Nelie), no Good Hope; e, na região do Rupununi, os filhos: Hilda, James Alexander e CHARLES Meville.

O senhor Melville era também o pai do Teddy e da senhora Magui (casada com o Mister Orella e proprietária da Fazenda “Amanari”, hoje um hotel na Guiana).

Em 1911, H.P. C. Melville foi nomeado primeiro Commissioner of the Rupununi (Comissário, Chefe Geral da Polícia) da região do Rupununi.

Em 1921 ele ficou doente e viajou para tratamento de saúde na Inglaterra. Nesta viagem ele estava acompanhado da senhorita Ethel Barkly, que era enfermeira. Com ela se casou na Inglaterra e não mais retornaria ao Rupununi, na Guiana.

Uma das filhas do senhor H.P.C. Melville, a jovem Emy, casou-se com o senhor Ben Hart, proprietário da “Fazenda Pirara” – que a perdeu no conflito armado em 1968, com as forças de segurança do Exército da Guiana, na tal “Questão do Rupununi”. Resulta que o Governo da Guiana, vendo que os Melville tinham muitas terras, além do necessário para o gado que possuíam, resolveu desapropriar as áreas onde não havia criação, e doar estas terras para outras pessoas que reivindicavam também o direito de ter um lugar onde colocar os seus rebanhos. O filho do H.P.C. Melville, Teddy Melville e o seu cunhado Ben Hart, se revoltaram com a tomada de suas terras e, com a promessa de autoridades da Venezuela que dariam apoio ao levante, atacaram a cidade de Lethem, provocando luta armada contra a guarnição do Exército guianense instalado na cidade. A tal ajuda da Venezuela não veio e os Melville tiveram apenas o apoio dos indígenas e outros fazendeiros que os acompanhavam. Perderam a luta para o Exército da Guiana, que recebeu reforço da capital, e as famílias envolvidas se dispersaram, umas para a Venezuela e outras para Boa Vista, Roraima.

Um outro filho do H.P.C. Melville, o Charles Melville, casou-se com a filha do veterinário e proprietário de Balatal o Dr. João Augusto Zanny, a senhora Alice Zanny. O casal teve os filhos: Percival, Ronaldo, Ena, João e a filha Jean Margareth Zani Melville  (mãe do empresário de comunicação visual, Randison Charles Melville Rebouças, e também da Kimdéborah, Nígel Noel Massaiah e do Bernardo Ivan Massaiah).  

Anos depois, já em segundo matrimônio, Charles Melville, que era dono da Fazenda “Emprensa”, ao sul de Lethem, casou-se com a senhora Edwina Gordon, e com ela teve os filhos: Charles, Tondelley, Eduarda, Don Melville e Wayne Rex Melville.

Charles Melville faleceu em maio de 1992.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
Ciella Yearwood disse: Em 03/11/2016 às 19:54:58

"Muito legal. Também sou bisneta do H. P. C. Melville. "

Marcio Melville de Souza disse: Em 02/11/2016 às 14:14:58

"Bela materia....gostaria de ter participado...mas tudo bem..."

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