Por Jessé Souza
Em 16/09/2017

Mais empatia, menos intolerância

O que parecia ser apenas uma ameaça acabou se concretizando: uma venezuelana que estava trabalhando com ambulante foi brutalmente espancada por três homens covardes, no bairro Senador Hélio Campos, só pelo fato de ser estrangeira. E muitos diziam que havia exagero nos alardes sobre a xenofobia em Roraima, a intolerância contra os imigrantes.

Os venezuelanos não vieram a passeio para o Brasil. Eles não largaram suas casas e suas vidas em seu país porque quiseram simplesmente morar em Roraima. Eles foram forçados a fugir da fome, da falta de trabalho e de um governo tirano que oprime seu povo e quer se perpetuar no poder a qualquer custo.

O Estado de Roraima tem um triste precedente de odiar o diferente e aquilo que o desagrada, quando foi incitado por uma ostensiva campanha a não tolerar os índios só porque eles lutavam por suas terras, como se os indígenas estivessem roubando o bem de cada um roraimense. Mais tarde se provou que os ladrões de terra eram os políticos e outras autoridades, que grilaram as áreas produtivas e dividiram as melhores terras entre eles.

O mesmo está acontecendo com os venezuelanos, apontados como usurpadores de nossa tranquilidade, de nossos empregos, de nosso dinheiro e até mesmo de “roubar” os maridos das brasileiras, que vão às áreas de prostituição atrás das estrangeiras que vendem seu corpo para se sustentar.

A semente da intolerância foi lançada de diferentes formas, desde aquelas disfarçadas de moralismo até as misturadas à religião. Houve inclusive dedo da politicalha, em que grupos políticos usaram os venezuelanos para atacar seus adversários, reforçando ainda mais a intolerância aos estrangeiros, apontados desta vez como usurpadores dos recursos públicos e dos benefícios sociais dos brasileiros.

Não poderia terminar bem quando as pessoas são incitadas a odiar o outro que pensa ou age diferente, principalmente nesse momento de ignorância e conservadorismo que beira à intolerância. Falta empatia nas pessoas, que não aprenderam a se colocar no lugar do outro, a entender que a questão humanitária não tem fronteira.

O que é alentador diante de toda essa questão é que os intolerantes estão em minoria. Ainda assim é um risco, pois as sementes da xenofobia foram lançadas em terreno fértil. Mas a maioria dos roraimenses não é representada pelos ignorantes. Somos um povo acolhedor e compreendemos que a empatia sempre deve prevalecer.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
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