Por Jessé Souza
Em 19/10/2017

Mais cenas da insegurança pública

Não há como o cidadão roraimense sentir-se seguro nem acreditar no que vem dizendo o governo estadual diante de um sistema prisional que não sabe que um homicida perigoso fugiu nem quantos detentos escaparam pelos buracos que eles escavam quando bem querem na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). É o cúmulo para quem paga impostos a fim de que o Estado garanta o bem-estar da sociedade.

Lembrando que o Governo Federal está gastando uma grana alta para bancar policiais da Força Nacional de Segurança enviados para garantir o policiamento no entorno da Pamc, hoje o maior símbolo da insegurança pública do Estado de Roraima e da força do crime organizado.

Para piorar ainda mais o que já estava ruim, a opinião pública teve a certeza que nem a Secretaria de Segurança Pública está organizada e muito menos as polícias se entendem. E não há nem como o governo contestar porque a revelação foi feita pelo próprio secretário demissionário em postagem na rede social e repercutida pela imprensa.

O que ainda ameniza esse grave cenário é que, no meio dessa confusão e desorganização, existem profissionais no sistema prisional e nas policias dando tudo de si para desempenhar bem suas funções, no que pese a falta de estrutura e de organização administrativa.

Mas não se pode esperar muito quando um sistema prisional não sabe nem quem fugiu e quando o secretário de Segurança vai a público confirmar as feridas do setor que geram os problemas da insegurança pública. É desalentador perceber que pouco ou quase nada avança em dois setores mais críticos do Estado.

Não há nem como tapar o sol com a peneira quando se trata de segurança pública, diante dos crimes de execução por facções, os constantes assaltos praticados por foragidos e albergados, o avanço das drogas nas praças públicas e outros crimes que apavoram a sociedade.

Enquanto isso, não há uma política de governo organizada e firme para fazer frente a tudo isso, a não ser as mesmas propostas encampadas por todos os governos que passam, como a construção de novos presídios e a reestruturação das polícias, porém, com esses dois setores numa constante mudança de comando, a desorganização fica óbvia.

É necessária uma mobilização de fato para encarar os graves problemas na segurança pública e no sistema prisional. Do jeito que está, os bons profissionais continuarão “enxugando gelo” nas polícias e nos presídios, enquanto os criminosos deitam e rolam com o avanço da criminalidade.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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