Por Jessé Souza
Em 13/10/2017

Lixão da infância

Não é só no lixão de Boa Vista que as crianças vivem sob riscos constantes. Obviamente que a lixeira é um lugar degradante, sem qualquer comparação com outras realidades, mas as praças públicas dos bairros mais distantes do Centro estão cheias de crianças na ociosidade, a um passo de conhecerem as drogas e entrarem para a marginalidade.

A Prefeitura de Boa Vista geralmente faz reformas nas praças, mas dá as costas para seus frequentadores, principalmente as crianças e adolescentes, que ficam por lá perambulando sem qualquer atividade, sem sequer uma bola de futebol para estarem se sentindo bem ao desenvolver uma atividade sadia.

Uma bola de qualquer esporte custa muito caro, o que está fora dos padrões da maioria das famílias dos bairros mais pobres. Como não há atividades de lazer, esporte ou cultural nessas praças bancadas pelo poder público, que envolva crianças e adolescentes em grupos para atividades que lhes proporcionem bem-estar, a droga logo ocupa os espaços da ociosidade, fazendo com que os problemas sociais se agravem.

Quem quiser presenciar a cena de muitas crianças e adolescentes que esperam apenas uma bola para brincar é só ir às praças dos bairros Cidade Satélite, na zona Oeste, e 13 de Setembro, na zona Sul, onde os pequenos traficantes se aproveitam da ausência completa do poder público para proporcionar atividades que acolham esses pequenos cidadãos.

Em outra ponta, os órgãos e entidades de proteção à criança e adolescentes deixaram de realizar atividades preventivas, como fiscalização nos bares e praças à noite para evitar o álcool e as drogas, além de apreensão de menores em horários inapropriados, o que reforçaria as autoridades dos pais dentro de casa.

Geralmente as autoridades só realizam alguma atividade de proteção em datas de eventos importantes, como o Carnaval, enquanto nos demais dias do ano a infância e juventude ficam livres e ociosas, com pais ausentes porque precisam trabalhar ou porque já perderam a autoridade.

Não é difícil nem dispendioso agir em favor da infância, quando se tem vontade política. O problema é que não há interesse por parte das autoridades em fomentar ações que só precisam de material esportivo, por exemplo. Ou ações de fiscalização que reforcem as autoridades dos pais e façam valer as leis vigentes.

O poder público só mostra interesse em agir quando há muito dinheiro envolvido (porque dá margem para a corrupção) ou ações que saltam aos olhos para servir de propaganda, como reforma de praças e jardinagem na cidade. Quando se trata de cuidar do bem-estar do cidadão, aí não há vontade política nenhuma...

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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