Por Jessé Souza
Em 24/10/2017

Indústria da vergonha que só avança

A indústria da invasão tem-se mostrado próspera em Roraima, não só pela esperteza de políticos e pretendentes a um mandato eletivo, mas também pela ânsia de muitas pessoas de levarem vantagem com a especulação imobiliária, como vem ocorrendo há muito tempo, quando os bairros de Boa Vista começaram a se expandir com o crescimento urbano.

Vários políticos conseguiram se eleger explorando a ocupação de lotes urbanos e a prática tornou-se uma atividade organizada, expandido para áreas rurais, a exemplo do surgimento da ocupação Pedra Pintada e o butim que contou com ajuda de autoridades quando a União transferiu as terras para o Estado, inclusive resultando em uma ação movida pelo Ministério Público Federal.

A propósito, até hoje não se viu mais o resultado dessas investigações sobre o maior movimento de grilagem de terras, dentro do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima), nem muito menos a polícia apontou a autoria e os motivos de uma execução do comerciante Nino Rosa, em agosto de 2013, com fortes indícios de ter sido um crime motivado por causa de conflito de terras.

Atualmente, o Estado acompanha mais um grande movimento de ocupação de terras, comandado por uma entidade que tenta de todas as formas se solidificar se apoiando nas antigas práticas que já deram certo em tempos atrás, como o bairro Araceli e o Pedra Pintada, este que segue para se tornar um bairro também. E o pior: arrecadando dinheiro de quem acha que vai se dar bem.

A impunidade que sempre reinou no Estado, sem que ninguém seja responsabilizado judicialmente por grilagem de terras rurais e invasões de lotes urbanos, acaba contribuindo para que a indústria da invasão nunca acabe e sirva de degraus para a política partidária.

Pelo contrário, até mesmo os programas habitacionais com recursos federais acabam sendo conduzidos por espertalhões que encontram apoio e incentivo para praticarem irregularidade na concessão de apartamentos e casas. É um festival vergonhoso de gente beneficiada que jamais passaria pelo crivo de uma investigação social séria.

E assim a esperteza na política vem sendo perpetuada, com a malandragem dos eleitores e as bênçãos de todo um aparato que resulta na impunidade de um grande esquema, apesar de todos saberem como tudo funciona desde quando os bairros começaram a surgir por meio dessas invasões. E ninguém faz nada para frear o esquema...

*Jornalista
jesse@folhabv.com.br
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Jessé Souza
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