Por Jessé Souza
Em 05/03/2018

Imagem do paraíso e a incógnita

Quem visita o perfil da prefeita Teresa Surita (MDB) nas redes sociais tem a impressão de estar vendo a realidade de uma cidade de primeiro mundo, com tudo funcionando com perfeição, como se fosse um sonho ou estivéssemos em um panfleto das Testemunhas de Jeová, com famílias felizes no paraíso, rodeadas por leões e tigres pacatos.

Com uma empresa paga com o dinheiro da educação municipal para cuidar das redes sociais da prefeita, o resultado que vai ao público pela internet têm que justificar os altos valores, ainda que com uma imagem fora da realidade. De fato, a cidade apresenta locais com um visual de estrutura de uma cidade organizada, porém apenas nas partes centrais.

Nos locais mais distantes de Boa Vista, na zona Oeste, onde estão todos os bairros periféricos da Capital, as obras de drenagem não chegaram, o asfalto ainda que precário só existe nas vias principais e as praças não têm as mesmas flores e estrutura observadas naquelas dos bairros centrais.

Ainda que estejamos na menor capital do país e a menos populosa, a prefeita vai deixar o seu segundo mandato seguido e o quinto de sua carreira política sem conseguir expandir para os bairros a imagem que ela mantém nas áreas centrais de Boa Vista ou na entrada da periferia.

Teresa prometeu cumprir todo o atual mandato, inclusive com compromisso registrado em cartório, porém ela anunciou sua pré-candidatura ao Governo do Estado, deixando para um vice inexperiente, que quase ninguém conhece e que não tem qualquer experiência administrativa para comandar uma cidade que enfrenta o maior desafio de todos os tempos, a imigração desordenada e com a volta de doenças que já estavam erradicadas no país.

O que preocupa é que Teresa com cinco mandatos nas costas só conseguiu fazer de Boa Vista uma cidade onde somente áreas centrais recebem estrutura, enquanto os demais setores da cidade, onde moram as famílias mais pobres, o urbanismo e a infraestrutura não chegam, além da falta de creches e de escolas infantis. Ou será que ela acha que mandar no Governo do Estado significará ser a administradora somente da Capital? Ou ela acha que vai resolver os grandes problemas do Estado em apenas quatro anos?

É preocupante também o fato de o eleitor roraimense deixar nas mãos do mesmo grupo político o comando da Prefeitura de Boa Vista e do Governo do Estado, sabendo que a transparência pública não é o forte desse grupo e os seus negócios estão fora de Roraima. Dando superpoderes ao mesmo grupo, Roraima corre o risco de se tornar uma grande "caixa-preta", tornando-se uma incógnita o futuro de todos – menos sabidamente o do grupo político deles, que quer dominar tudo.

*Jornalista
e-mail: jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
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