Por Jessé Souza
Em 03/10/2017

Entre a moral, a fé e os bons costumes

O Brasil entrou em um momento crítico, em uma encruzilhada em que as pessoas transitam em combatentes contra a corrupção a defensores da moral e dos bons costumes de acordo com suas conveniências. No meio da confusão estão os evangélicos de várias matizes, entre a fé e a moral, liderados por pastores que enriquecem e estão metidos também na politicalha, entre as pérolas lançadas aos políticos corruptos.

O que se mostra curioso é que essa geração toda atravessou os anos de 1990, quando a internet era para um pequeno círculo de pessoas, na frente da televisão aberta que exibia programas que expuseram adultos e crianças à maior patifaria que poderia existir em relação à erotização pura e simples à pornografia declarada.

O Faustão que aí está, na TV Globo, já naquela época colocava ao vivo e em cores um quadro que se chamava “shusi erótico”, para deleite dos que não tinham que fazer a não ser ficar assistindo nas tardes de domingos os programas de auditório do tipo senta-aplaude-e-levanta, como se fossem fantoches de carne e osso.

Ao mesmo tempo, passava a tal “banheira do Gugu”, no SBT, com moças e rapazes com roupas mínimas se esfregando, mostrando seios e exibindo closes de bundas. Além disso, os participantes molhavam as camisas brancas das modelos que ficavam de seios à mostra exibidos ao vivo no meio da tarde.

Ainda na Globo, a Xuxa, que fez um filme pornô com uma criança, “formou” toda uma geração de crianças com seu “Ilariê” vestida com roupas que não poderiam ser as mais erotizadas para a época, com propagandas feitas por ela e crianças que mais pareciam cenas de um filme pornô.

Na Bandeirantes, naquela época, passavam “contos eróticos” que não deixavam a desejar filmes pornôs, que suponham ser nas madrugadas, no horário de Brasília, mas sem respeitar os fusos horários do país.

E ainda havia as telenovelas, que se tornaram “cultural” para o brasileiro, com nudez, sexo, traição e tudo que não presta no ser humano. Os telespectadores eram toda essa geração que agora se passa como detentora da moral e dos bons costumes, tudo misturado com política, religião e combate à corrupção, como se fosse um angu.

Quem conhece um pouco da História do Brasil sabe que esse foi o mesmo ingrediente que as pessoas usaram para pedir e defender a ditadura miliar no Brasil, na década de 1960, em nome da família, da religião e da moral. E, não por coincidência, é o mesmo que está acontecendo atualmente, tudo apresentando um forte pano de fundo pintado com o falso moralismo e a religião.

*Jornalista
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Jessé Souza
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