Por Jessé Souza
Em 16/08/2017

Duas faces da insegurança
 
Os casos de furtos e assaltos a cidadãos comuns são diários, principalmente nos bairros mais afastados do Centro de Boa Vista. Os pequenos comércios são um dos principais alvos dos ladrões. A grande maioria desses casos sequer é investigada, o que significa bens não recuperados e ladrões que nem chegam a ser identificados.

Falta espaço na imprensa para narrar o drama diário dessas pessoas anônimas e o desalento com a polícia, que sempre alega falta de estrutura para investigar todos os casos, embora o contribuinte tenha esse direito e a polícia judiciária exista para isso mesmo.

Porém, no início do mês, um escritório anexo à casa da governadora de Roraima foi alvo de furto e, exatamente uma semana depois, o autor foi localizado, preso e os produtos recuperados.

Isso significa que, quando quer ou quando há uma determinação superior, a polícia consegue desvendar esses pequenos casos de furtos em tempo recorde. Afinal, as autoridades só agem quando se sentem pressionadas e, além disso, furtar a propriedade da chefe do Executivo requer uma resposta imediata, sob pena de ficarem desmoralizadas.

Mas, na periferia, os cidadãos que pagam seus impostos e vivem na batalha diária para sustentar suas famílias não conseguem ter a mesma atenção e resposta quando são vítimas de furtos ou assaltos. O desalento é tanto que muitos sequer vão à delegacia registrar ocorrência policial, pois já sabem que não dará em nada.

Os pequenos comerciantes não têm mais suportado a ação contumaz dos bandidos, que agem de forma audaciosa em assaltos a mão armada durante o dia ou em furtos praticados na calada da noite, geralmente por drogados que buscam recursos para alimentar seus vícios.

Os pais e mães de famílias têm dormido sobressaltados na periferia da cidade, onde a insegurança é maior, pois podem ter suas residências invadidas no descanso noturno ou mesmo durante o dia, quando saem para trabalhar ou para suas atividades rotineiras.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, onde moram as autoridades, que têm condições de pagar por reforço na segurança de suas propriedades, muitas vezes a segurança pessoal e de suas famílias é mantida por agentes das forças policiais do Estado, ou seja, bancado pelo contribuinte.

Essas são as duas faces de uma mesma realidade. Quando uma alta autoridade é vítima de ladrões, logo tem seu caso resolvido e bens devolvidos. Quando é o cidadão comum, a realidade é outra: descaso, morosidade e falta de estrutura.  

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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