Por Jessé Souza
Em 30/09/2017

De Nicolás a um milagre dos céus

O Estado de Roraima vive sobre seguidas desculpas esfarrapadas para cada ocasião. Esse atual governo administrou por mais de um ano jogando todas as culpas na administração anterior. Não que o governo anterior não tenha toda essa culpa; tem sim, mas até hoje os desmandos são jogados para debaixo do tapete e, vez por outra, ainda joga-se a responsabilidade para a administração anterior.

O mandato está chegando ao fim, mas nunca se cumpriu a promessa de fazer uma auditoria nas contas e ações do governo para dar nome aos bois e mostrar o tamanho do buraco. O eleitor deu o seu aval nas urnas por acreditar que tudo seria diferente e que seria feita uma faxina nos rombos que foram deixados.

Nesse meio tempo, quando não cabia mais apontar a culpa para o governo anterior, surgiu a crise migratória na Venezuela, quando uma massa de gente fugindo da fome e da miséria no país vizinho aportou no Estado, piorando aquilo que já estava ruim por falta de um governo que consertasse os problemas que se arrastam de longos tempos passados.

Agora a culpa é jogada na onda migratória venezuelana. Tudo que os administradores não conseguiram consertar é creditada na conta de Nicolás Maduro e do seu povo desesperado que se amontoam nos hospitais, na maternidade, nas delegacias, nos semáforos, nos abrigos e na rodoviária. A culpa do governo anterior se somou à culpa dos venezuelanos.

Nesse meio tempo, os grandes problemas ficaram estacionados à espera de solução, a exemplo das questões energética e fundiária, do Zoneamento Econômico e Ecológica (ZEE), da segurança pública, da saúde, da educação e outros setores a exemplo do único matadouro público que definha a ponto de ser preciso fechá-lo.

Como não é mais coerente jogar toda culpa em governos anteriores, os venezuelanos vieram bem a calhar, pois eles desviam a atenção da sociedade com seus cartazes feitos de papelão em cada semáforo da cidade ou mulheres com crianças de colo na porta de bancos, restaurantes e lotéricas; ou ainda a fila da prostituição no bairro Caimbé.

Da outra ponta, está a crise política que vem de Brasília, com um presidente atolado em corrupção e um governo refém dos corruptos e sem rumo, a quem pode-se também atribuir parte da culpa pelo Estado de Roraima não avançar. Enfim, temos um cenário perfeito para se criar desculpas e justificar o porquê de ficarmos estacionados, esperando um milagre vindo dos céus, já que da terra e dessa atual administração é impossível.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
Luciana Da Silva disse: Em 30/09/2017 às 02:45:53

"O problema é que o atual governo é muito incompetente igualmente ao governo anterior, só não aceita o mesmo título. Quer a qualquer custo enfiar na cabeça do povo que vai deixar um legado na saúde pelos próximos 20 anos, só trabalhando na área de saúde ou precisando do atendimento do sus para ver a carência que está. Medo dessa família ganhar a próxima eleição de novo, o eleitor gosta de bancar de burro na urna."

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