Por Jessé Souza
Em 28/09/2017

Da trilha do diamante ao turismo

Cresci ouvindo as histórias do garimpo da Serra do Tepequém contadas pelo meu velho pai, as quais ficaram gravadas na minha memória para sempre. Passava um filme na minha cabeça toda vez que ele narrava as dificuldades para subir a serra quando nem estrada havia, dos acidentes, da dura batalha em busca do diamante e das farras homéricas que transformava um “bamburrado” em “blefados” em poucos dias.

Atualmente, sempre que posso vou a Tepequém não apenas para apreciar a exuberante beleza daquele lugar, mas para remoer na memória as histórias do garimpo contadas pelo meu pai, que recebeu o apelido de “Caracará”, codinome por ele ter chegado ainda jovem no garimpo e só gostar de mulheres mais velhas.

Na semana passada, eu meus dois companheiros de aventura caminhamos por quase quatro horas dentro do leito do rio a partir da corredeira do Cabo Sobral até as corredeiras do Tilin do Gringo. Ao longo do trajeto, feridas ainda abertas pelo garimpo da década de 1940, como crateras e cascalhos revolvidos que ainda exibem peças e pedaços de maquinários da exploração do diamante.

Quantas vidas foram ceifadas por ali na corrida pelo El Dourado! E fiquei lembrando dos causos que ouvi durante toda minha infância e adolescência, do sonho da riqueza, da lei dos mais forte e dos olhos do garimpeiro brilhando quando uma pedra preciosa surgia por entre os cascalhos.

Mas hoje a realidade é outra e riqueza daquele local é a natureza, mas a ausência governamental para fomentar o turismo ecoa por todos os cantos de Tepequém. Os políticos e governantes não levam o turismo a sério e sequer o consideram como gerador de riquezas. Amazonenses chegam aos montes para conhecer aquele lugar e encontram dificuldades em colher informações.

Enquanto Tepequém ainda se recupera do garimpo, aquela comunidade sabe que o turismo é gerador de receitas, mas as ações de apoio estão muito distantes. Os políticos precisam entender que o turismo pode ser uma fonte de riqueza desse Estado, que é cercado por belezas naturais, áreas de proteção ambiental e terras indígenas.

O sonho da riqueza pelo garimpo ficou para trás e deve ficar somente na memória e nos relatos históricos. É necessário que as autoridades estaduais e municipais promovam o turismo, cujas receitas no mundo já ultrapassam as do petróleo, por exemplo. Por enquanto, Tepequém só tem atraído turistas que se entusiasmam pelas fotos e relatos de quem já esteve por lá. Fora isso, só mesmo os poucos empreendedores que estão por lá, suando a camisa diariamente e a cada feriado prolongado.

*Jornalista
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Jessé Souza
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