Por Jessé Souza
Em 27/09/2017

Cena da Índia no parque

Espaço é o que não falta no Parque Anauá, o maior espaço de lazer ao ar livre do Estado. O problema é a falta de completa organização por parte do seu administrador, o Governo do Estado. Cada fim de semana é um festival de confusão em que as famílias que vão lá para se divertir e acabam enfrentando sérios problemas.

Um deles é a brincadeira de empinar papagaios (pipas), que coloca em risco a vida de transeuntes, motociclistas e famílias que organizam piqueniques ou festas de aniversário no entorno do Lago dos Americanos. Crianças e adultos usam o cerol, uma mistura de cola e vidro para cortar a linha do papagaio adversário.

Essas linhas se tornam uma verdadeira navalha que podem provocar sérios cortes no corpo das pessoas e até mesmo a degola de um motociclista ou de qualquer criança que estiver brincando no parque. Os empinadores de papagaios não medem consequência e espaço, o que significa uma bagunça generalizada nos locais onde as famílias ficam acampadas.

Como não há organização nem controle, todos os frequentadores ficam em risco, inclusive as dezenas de crianças e adolescentes que correm atrás dos papagaios que caem, tanto por estarem sujeitos a um corte pela linha com cerol ou mesmo de serem atropelados por carros ou motos.

Existe uma lei que proíbe o uso de cerol, porém, ela visivelmente é desrespeitada e muito menos fiscalizada. Já que as autoridades não têm pulso para impor uma fiscalização, deveriam reservar um lugar específico para a prática de empinar papagaio, já que espaço é o que não falta naquele local.

Como tudo por aqui só é realizado depois que os problemas ocorrem, os administradores do parque só irão agir quando um acidente grave acontecer por lá. Pela falta de organização, não tardará para ocorrer uma tragédia, já que também não há um controle de tráfego fora do entorno do lago.

Na entrada leste do parque, pelo bairro dos Estados, existe uma balbúrdia de carros e motos, que mais parece um trânsito indiano, em que se misturam pessoas, veículos e animais. Quem entra por lá tem a impressão de que a qualquer momento vai aparecer uma vaca sagrada da Índia ou alguém sentado em cima de elefante no meio da confusão.

Os problemas são de conhecimento de todos, mas não é de difícil resolução, porém nem sempre há vontade política para organizar as confusões que parecem “culturais”. A situação do Parque Anauá é resquício daqueles que acham que por aqui prevalece o “vale-tudo”, contando com a conivência das autoridades, que também acham que não devem tomar “medidas impopulares”.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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