Por Jessé Souza
Em 29/08/2017

Assim como nossos ancestrais

Pelo que pode ser observado nas redes sociais, que é o termômetro popular ao alcance de todos, muitos estão regredindo há pelo menos meio milhão de anos, quando nossos ancestrais tiveram que disputar comida com as populações de macacos, que cresceram tanto a ponto de ameaçar a sobrevivência humana, na África.

Como os macacos eram mais ágeis, ganhavam na disputa por comida, obrigando o ser humano a racionar, quando ele teve que buscar uma alternativa conjunta, abrindo uma nova fase, quando nossos ancestrais tiveram que pensar juntos.

A partir daí, os humanos entenderam que era necessário agir em conjunto, numa grande cooperação pela sobrevivência, na busca por alimentos. Então, surgiram os grupos criados de cooperação mútua, passando, a partir daí, a ter a necessidade de divisão de trabalhos e outros tipos de organização de atividades.

Com o surgimento desses núcleos, começaram a surgir estranhamentos entre os grupos diferentes, conforme aponta o pesquisador norte-americano Michael Tomasello, que defende a tese de que nossa capacidade de cooperar “evoluiu dentro desses grupos”. “Há 100 mil anos fomos interdependentes dentro de nosso grupo cultural, mas lutávamos com outros grupos e não confiávamos neles, não conseguíamos entender seu idioma...”.

Para ele, trata-se de uma das descobertas mais sólidas da psicologia: as diferenças entre os tratamentos dados a quem é do grupo e a quem não é. “Favorecemos quem pertence a nosso grupo e desconfiamos dos de fora”, disse concluindo que entender nossa natureza, incluídos os aspectos mais sombrios, pode ajudar a melhorar nossas sociedades.

Está aí o DNA dos sentimentos xenofóbicos e da incapacidade que muitos têm de aceitar a cooperação entre estranhos. Como há milhares de anos, estamos achando que os venezuelanos estão chegando para tomar tudo aquilo que é nosso, mesmo aquilo que não nos pertence, a não ser nas letras mortas das leis.

Assim como nossos ancestrais, surgem até pessoas que transformaram essa crise migratória venezuelana como uma guerra entre grupos, ou seja, do nosso grupo que luta pela sobrevivência e do grupo desconhecido e estranho dos venezuelanos, tratados agora como inimigos, já que seu país definhou e não é mais o paraíso das compras e do turismo a preços tentadores.

O que estamos precisando é de menos incompreensão. Precisamos unir nossas mentes, assim como fizeram nossos ancestrais, para que o curso da vida seja retomado, sem sentimento de exclusão do outro, do estranho. Mais altruísmo e menos egoísmo.
 
*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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