Por Jessé Souza
Em 06/10/2017

Arte de surrupiar a nação

É no mínimo um jogo de cena o comportamento dos parlamentares federais que se negaram a participar de uma audiência com o presidente Michel Temer (PMDB), que mais uma vez distribui benesses para tentar barrar a nova denúncia contra ele na Câmara Federal, agora acusado de organização criminosa e obstrução à Justiça.

É sabido que os acordos neste sentido são feitos na calada da noite e o que vale mesmo, neste caso, são os votos em Plenário, o que já foi demonstrado na primeira votação em que Temer saiu vitorioso com apoio da maioria da bancada roraimense. Como a opinião pública está de olho na movimentação no Congresso, não ir a uma audiência representa apenas o temor por uma repercussão imediata.

Mas isso não livra a responsabilidade que os políticos têm em apoiar esse atual governo cujos suas principais lideranças estão todas atoladas até o pescoço com os escândalos. E a própria opinião pública já esqueceu o argumento a favor do impeachment: “Primeiro a gente tira Dilma, depois damos um jeito no Temer”.

O presidente mais impopular da história do país segue desafiando tudo aquilo que foi pregado pelos movimentos contra a corrupção, inclusive, mesmo com a Operação Lava Jato, em curso há mais de três anos, os corruptos continuaram agindo com suas malas de dinheiro e, de outro lado, com a liberação de recursos de emendas parlamentares e concessão de cargos públicos.

Os criminosos em série continuam agindo contra a administração pública e mantém sua carreira profissional de dilapidar os cofres públicos, enquanto os movimentos contra a corrupção desviam o olhar da população a mobilizando contra exposição em museus, por meio de uma campanha em favor da moral e dos bons costumes liderada por um ator de filmo pornô homossexual.

Enquanto isso, todos os envolvidos nos casos de corrupção, dos políticos aos empresários, de ministros ao presidente, todos continuam agindo na arte de surrupiar o bem público, sem mais causar indignação desses movimentos que antes se mostravam inflamados.

Os criminosos se profissionalizaram em crimes que solapam do brasileiro a esperança de um país melhor, o que nega ao povo a esperança por um país melhor. Porém, os movimentos contra a corrupção de outrora optaram por fechar os olhos para esta imoralidade que se tornou o país, para voltar sua atenção a uma campanha de falso moralismo, despertando nas pessoas seus preconceitos e ranço religioso. Enquanto isso, os corruptos se divertem!

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
FRANCISCA VANDA DOS SANTOS SILVA disse: Em 06/10/2017 às 14:03:11

"...despertando nas pessoas seus preconceitos e ranço religioso...se não fora este final com aspecto de preconceito também eu diria que o texto estava perfeito!"

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