Por Jessé Souza
Em 25/09/2017

Mãos limpas e atos corruptos 

No país da Lava Jato e do impeachment, convencionou-se a acreditar que o grande mal do país é a corrupção dos políticos e de grandes empresários que têm na política a forma de enriquecer fácil ao se locupletar dos cofres públicos. Mas esta infestação do mal não está apenas no centro do poder.

A sem-vergonhice está tão generalizada que até mesmo o Corpo de Bombeiros, a instituição de maior credibilidade no Brasil, também foi atingido por atos corruptos de seus membros, a exemplo do Rio de Janeiro, onde 30 oficiais da corporação presos por cobrarem propina para liberarem alvarás de estabelecimentos comerciais irregulares.

O futebol, a grande paixão dos brasileiros, há tempos se transformou num grande negócio onde as máfias criaram raízes. Não só fora do campo a desonestidade reina. Dentro das quatro linhas também: um jogador do Corinthians fez um gol com a mão e não teve pudor em falar a verdade, mesmo que, não fazia muito tempo, este mesmo atleta havia sido beneficiado pela honestidade de um jogador do time adversário.

No dia a dia, muitos cidadãos que criticam a bandalheira na política acabam não agindo de forma honesta, a exemplo de desvio de energia por meio de “gatos” ou mesmo se apropriando do aparelho celular que foi perdido pelo verdadeiro dono.

Na política, muitos continuam vendendo seu voto ou o trocando por favores. Esse tipo de crime eleitoral tornou-se tão corriqueiro que os esquemas de boca de urna sempre funcionam de forma disfarçada. Enquanto não houver uma punição exemplar do eleitor que vende seu voto, essa prática continuará se repetindo.

Se o cidadão não tomar consciência de que o “jeitinho brasileiro” é também uma forma de se corromper e que vender seu voto significa alimentar a corrupção na política, o Brasil continuará sendo o país da bandalheira, onde a corrupção fincou tentáculos nas instituições e é tolerada por boa parte da população, que também busca levar vantagem em tudo.

Além disso, os cidadãos de bem não podem se entregar e se sentir envergonhados em agir de forma honesta e dentro da ética. A Operação Lava Jato faz o papel dela lá em cima, na política. Mas os cidadãos precisam continuar agindo aqui, embaixo, como se estivessem numa constante “Operação Mãos Limpas”, em que as pessoas de bem se comprometem, com sua família e com a sociedade, a continuar não só protestando contra a corrupção na política, mas agindo de forma honesta e cobrando e exigindo para que as instituições funcionem.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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