Por Jessé Souza
Em 25/07/2017

Bandido bom...

Há tempos que os assassinatos com sinais de execução vêm ocorrendo na Capital e interior, a exemplo dos municípios de Rorainópolis, no Sul do Estado, e de Alto Alegre, a Centro-Oeste. Nessas duas cidades, o tráfico de drogas impera e as polícias têm trabalhado duro para enfrentar a ação dos traficantes e as consequências advinda das drogas, principalmente entre os jovens e adolescentes.

Na Capital, a realidade é muito preocupante, pois semanalmente os crimes de execução ocupam a crônica policial da imprensa. Isso mostra que os criminosos estão em guerra, seja em acertos de conta ou em confronto de facções rivais. Por enquanto, é bandido matando bandido, mas isso não significa que a situação continuará sempre assim.

É fato que o crime organizado tem se articulado para também atacar policiais e agentes que atuam no sistema prisional e no Centrosócio Educativo (CSE). Alguns policiais têm pagado com a vida e o cenário não é muito animador, pois até aqui as forças do Estado ainda tentam se organizar para esse enfrentamento.

Como já foi dito aqui, outras vezes, não se enfrenta o crime organizado colocando apenas mais policiais nas ruas. O enfrentamento precisa começar pela inteligência, com investigações e informações que façam com que o enfrentamento físico seja evitado e que evitar que pessoas inocentes possam ser vítimas dos bandidos.

O confronto físico e aberto só favorece os bandidos. É preciso investir nos setores de inteligência das polícias, para que depois a situação não fuja do controle e surjam grupos de extermínios, a exemplo do que já ocorreu no passado, aqui mesmo em Roraima.

O surgimento de forças paralelas só comprova a incompetência do Estado em investir em inteligência e informação, para que as forças policiais tenham estrutura para agir por antecipação. Valendo destacar que grupos de extermínios sempre contam com participação de agentes do Estado, os quais acabam ficando à margem da lei. E não é isso o que a sociedade organizada deseja, embora muitos aplaudam a execução sumária de bandidos diante do avanço da violência.

O problema requer atenção especial das autoridades, não só de Segurança, mas também do Judiciário e do Legislativo, responsável por destinação e fiscalização da aplicação de recursos do orçamento. Até aqui, o que se tem visto é meliante comemorando, nas redes sociais, que “bandido bom é bandido solto”. Os bandidos têm levado vantagem e o Estado como um todo precisa reagir enquanto há tempo.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!