Por Francisco Cândido
Em 11/01/2017

RÁDIO RORAIMA - 2ª PARTE.
60 ANOS NO AR (1957 – 2017)
PROGRAMA “O MENSAGEIRO DO AR”

Na edição da semana passada, na quarta-feira, dia 04 de janeiro de 2017, vimos a 1ª Parte da História da Rádio Difusora Roraima, a mais antiga Emissora deste Estado. Contamos do surgimento da Rádio, quem a criou e onde ela foi instalada inicialmente. Foi abrangido o período de 1956, quando ela foi criada e a sua inauguração oficial em 04 de janeiro de 1957.

Assim posto, vamos dar continuidade aesta História com a 2ª Parte:

Quem conhece esse ex-Território é testemunha de que até 1957 a imensidão do lavrado era cortada por poucas estradas e pequenas pontes de madeira. O meio de transporte mais usado à época ainda era o cavalo. Posteriormente o Governo Territorial cedeu um caminhão para o transporte de produtos hortifrutigranjeiros do interior para a capital.

O agricultor transportava de carroça a sua produção até a estrada mais próxima, e então ficava a mercê do tempo à espera da passagem do veículo. E, muitas vezes, por falta de um calendário rígido e de divulgação, a produção- composta em parte, por produtos perecíveis -, deteriorava-se e perdia-se todo o trabalho de uma safra.

Necessitava-se de meios de comunicação entre as pessoas das diversas localidades, e era a “Carta”, o que mais se usava. Em face das dificuldades de comunicação para o interior do Território, o Governo quando necessitava divulgar algo importante, como envio de equipemédica, técnicos agrícolas ou liberação de recursos para agricultura, mandava esses avisos para a Radio Difusora do “Amazonas”, levados pelo o avião da Empresa Aérea Cruzeiro do Sul que vinha a Boa Vista de 15 em 15 dias. De Manaus, via Programa de Recados daquela emissora, os avisos eram veiculados de volta para este Território (Federal do Rio Branco).

À noite, os agricultores, com seus radinhos à pilha, ficavam à espera dos Recados do Governo, ou mesmo alguns “Avisos” de familiares que vinham a Boa Vista e utilizavam do mesmo recurso de envio de mensagens.

Na capital Boa Vista, em 1955, quando dirigia o serviço de notícias governamental instalado em uma saleta da Escola Lobo Dalmada, através de alto-falantes, o MaestroDirson Costa havia criado o Programa “Mensagens Radiofônicas”, musical mesclado com divulgação de notícias do governo para o público rio-branquense. Em 1956, por determinação do Governo do Território, o serviço de Alto-falante foi transferido para junto da Caixa D`àgua, ao lado do prédio do IBGE, diante da Praça Capitão Clóvis. Em cima da Caixa D`água foram postas 4 cornetas de som, voltadas para os Pontos Cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste) para que a cidade pudesse ouvir as “Notícias do Governo”.

No interior, com o advento da primeira emissora de Rádio em Boa Vista em 1957, o rio-branquense transferiu a audiência da Difusora do Amazonas para a Difusora de Roraima.

Em janeiro de 1957, a “Emissora”foi transferida para um prédio interno da Divisão de Educação, e o Programa “Mensagens Radiofônicas” foi extinto. E, em seu lugar foi criado  o Programa “O Mensageiro do Interior”, com alcance além de Boa Vista.

Em 1962, com a mudança do nome de Território Federal do Rio Branco, para Território Federal de Roraima (Lei n° 4.182, de 13 de dezembro de 1962, de autoria do ex- Deputado Federal Valério Caldas de Magalhães), o Diretor da Rádio Roraima, à época o apresentador Áureo Odilon de Souza Cruz, mudou o nome do Programa, para “O Mensageiro do Ar”, tendo como primeiros locutores o próprio Áureo Cruz e o Valdemir Cavalcante.

É verdade que havia um rodízio na apresentação do Programa, por diversos locutores: Altair Souza, Damásio Douglas Nogueira, Agamenon Magalhães, Reis Brandão, Máximo Pereira, Maris Mota Guimarães, Tarcílio Aires, entre outros. Nos anos seguintes, foi apresentado pelos locutores: Benjamin Monteiro, Edmur Oliva, entre outros. Divulgava-se a cada noite, cerca de 60 a 80 Recados, devido às primeiras corridasàs regiões de garimpos, particularmente no Tepequém e no Suapi.

Mas, o interesse pelo o Programa não era só na área de garimpo, mas em todo o interior do Território. As notícias da Funai, da Igreja e dos familiares chegavam até a região do Alto Rio Maú, já próximo da fronteira da Guiana. Até os servidores da Sucam avisavam o itinerário por onde iriam passar para fazer a vacinação contra a malária.

Além da contribuição à área social, o Programa “O Mensageiro do Ar”, também incentivou o desenvolvimento econômico, divulgando matérias de interesse geral: Chegada à Caracaraí de Balsa vindas de Manaus transportando mercadorias (notícias fornecidas pelos radiotelegrafistas do Governo, instalados naquela cidade-porto). Estas informações eram captadas em Boa Vista e retransmitida pelo o Programa “Mensageiro do Ar”.

Com o fluxo de garimpeiros para o interior do Território no final da década de 50 e início dos anos 60, o “Mensageiro do Ar” divulgava a cotação do diamante e o valor do Ouro.

Recado transmitido no Programa O Mensageiro do Ar: “Atenção Florêncio, no Mutúm, Fininho avisa que o Chico viajou para o. garimpo no dia 20. Avisa ainda que viajará para a Pista do Vando Preto, na próxima semana. Aguarde novos recados. Envia abraço extensivo a todos os amigos ai no baixão”.
____________
Na próxima quarta-feira, dia 18 de janeiro, daremos continuidade a esta Histórianesta página “Minha Rua Fala”, aqui no Jornal Folha de Boa Vista.

Comentários
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!