Por Parabólica
Em 18/08/2017

Bom dia,

É preciso olhar com atenção para o discurso otimista dos que estão interessados em salvar o atual governo. Nunca é bom esquecer que a quase totalidade dos deputados que votaram para livrar o presidente Michel Temer (PMDB) de ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção passiva, o fizeram alegando que a economia brasileira teria saído da crise e que uma eventual mudança de governo poderia colocar tudo a perder. E, por outro lado, diziam que estava apenas adiando o início do processo, uma vez que, terminado seu mandato, Temer viraria cidadão comum e, portanto, cairia nas mãos de Sérgio Moro e sua turma de Curitiba.

Agora, entre outras coisas para justificar o aumento do rombo das contas públicas do Governo Federal, o Ministro da Fazenda, Henrique Meireles, disse que a queda na receita esperada pelo governo foi decorrente de dois fatores: uma inflação abaixo da esperada e o pouco crescimento da economia tupiniquim. Ou seja, a tão decantada saída da crise não se verificou quando os números do desempenho saíram. E ontem o mercado já tinha a forte expectativa de que o Produto Interno Bruto brasileiro não chegará a crescer 1% neste 2017.      

ENTREVISTA
Sobre uma nota veiculada ontem aqui, neste espaço, a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), mandou mensagem, via Whats, anexando cópia de matéria de uma revista nacional onde ela reclama da falta de iniciativa do Governo Federal para enfrentar os problemas trazidos pelo imenso fluxo migratório de venezuelanos para o Estado. A prefeita quis, com certeza, justificar a reunião dela, com os nove ministros do governo de Michel Temer (PMDB), programada para a próxima segunda-feira, 21, no Palácio do Planalto, para tratar da questão dos venezuelanos.

CRÍTICA
Talvez a prefeita Teresa Surita e sua assessoria tenham interpretado que a nota da Parabólica tenha sido veiculada para criticar a iniciativa dela de começar a enfrentar com mais vigor os problemas trazidos para Boa Vista em decorrência dos venezuelanos que aqui chegam fugindo da tragédia que o governo de Nicolás Maduro tem trazido à população mais pobre daquele país. Se este foi o entendimento da prefeita e seus assessores, foi um equívoco. Ninguém faz crítica a essa iniciativa, ao contrário, o fato dela e sua equipe acordarem para o sério problema que estamos vivenciando só merece elogio e apoio.

REPUBLIQUETA
De fato, se algum conteúdo crítico está presente naquela nota, o alvo é a forma mesquinha com a qual o atual Governo Federal está tratando as questões do País, numa partidarização imoral e incompatível com qualquer princípio republicano. Para começo de conversa, quem primeiro anunciou o encontro a ser realizado na sede do Governo Federal do Brasil foi o notório senador Romero Jucá (PMDB), como costumeiramente faz sempre que aparece uma oportunidade para aparecer como mandachuva em Brasília. De mais a mais, como quer o Governo Federal alijar o governo estadual, que até agora foi a única esfera de poder a fazer alguma coisa para amenizar o problema?

AMPLO
Não é desnecessário enfatizar que os problemas gerados pela imigração venezuelana em massa para o Estado sobrecarregam especialmente os serviços públicos de competência do governo estadual, a começar pela segurança pública e prestação de serviços de saúde. É evidente que o Município também tem alguns serviços de sua alçada sobrecarregados, inclusive no município de Pacaraima. Se prevalecesse um mínimo de seriedade nessa iniciativa, tardia, do Governo Federal, é claro que os esforços teriam de ser coordenados pelo governo estadual, com a coparticipação dos municípios mais atingidos. Isso é elementar, meu caro Watson, diria o velho detetive Sherlock Holmes.

RESSUSCITANDO
Tem certas coisas que não dá para entender. Ontem, aqui, na Folha, foi veiculada uma matéria dando conta de que o Governo Federal anda tomando iniciativa e gastando dinheiro para ressuscitar a velha história - vem dos anos 70 do Século XX - de construir uma hidroelétrica na cachoeira do Bem-Querer, no Rio Branco, entre Boa Vista e Caracaraí. A reportagem dá conta de que a Empresa de Pesquisa Energética (EPL), vinculada ao Ministério das Minas e Energia, está com edital na praça para selecionar empresa a quem se recomendaria o estudo do “Componente Indígena” para o futuro licenciamento ambiental para que a Hidroelétrica do Bem-Querer possa ir a leilão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

INDICATIVO
O edital da EPL já lista a abrangência para a feitura do relatório do “Componente Indígena” para o licenciamento ambiental da Hidroelétrica do Bem-Querer. Estão incluídas como terras indígenas, a serem objeto do estudo, Yanomami, São Marcos, Serra da Moça, Jabuti, Canauanin, Tabalascada, Malacacheta, Moskow e Manoá-Pium. Pelo que se pode ver, não faltará combustível para tocar fogo nessa iniciativa que pode resultar na realização de gastos sem qualquer retorno. E com certeza, na maioria dessas comunidades, os efeitos da barragem serão inexistentes, ou de pouco impacto.

MULTAS
Desde o começo desta semana, os radares fixados em pontos estratégicos de Boa Vista já estão registrando avanços de sinais que serão transformados em multas. Para que se tenha uma ideia aproximada do quanto isso custará aos desavisados, basta lembrar que nos três meses, em que esses radares apenas registravam as ocorrências, foram detectados nada menos que 35.000 avanços irregulares. É grana pra Dedéu, diria o mestre Afonso Rodrigues, colunista cá da Folha.

Parabólica
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