O inajá é a palmeira com maior potencial para a produção de óleos das Américas
Em três anos, a Embrapa Agroenergia deverá reforçar pesquisas com palmeiras oleíferas para produção de biodiesel. O projeto, intitulado Propalma, foi aprovado em junho e deve entrar em vigor a partir do mês de agosto com a produção das primeiras mudas. O projeto de pesquisa estuda a utilização de palmáceas para a produção de óleo e aproveitamento econômico da planta.
Em todo o país, o projeto estudará plantas como o murumuru, babaçu, o tucumã, o inajá e a macaúba. Das cinco espécies estudadas, quatro são da região amazônica, e Roraima será o líder das pesquisas sobre o inajá, por ser a palmeira de maior ocorrência no estado. Antes tida como uma praga pelos produtores, após os estudos da palmácea, verificou-se que ela é a palmeira com maior potencial para produção de óleo nas Américas. Pesquisas realizadas pela Embrapa revelaram que esta palmeira é capaz de gerar 3.690 litros de biodiesel por hectare ao ano, superando, em produtividade, outras fontes tradicionais do combustível.
Outras ações de pesquisa relacionadas a essas palmeiras oleíferas já estão em andamento na Embrapa e darão suporte à execução deste projeto. Segundo o líder do Propalma em Roraima, doutor Otoniel Duarte, além da produção de biodiesel, os estudos vão aprofundar a utilização da palmeira como cosmético, alimento, e os resíduos da planta também poderão ser utilizados como ração animal, beneficiando inclusive os pequenos produtores.
O estudo pretende fornecer subsídios para estratégias de condução dos cultivos ou do extrativismo sustentável, com aumento de produção e domesticação da espécie. Essa domesticação é feita a partir de etapas que vão desde o melhoramento genético, produção de mudas, espaçamento, adubação, estudo de pragas até as estratégias pós-colheita.
O pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte fez sua tese de doutorado sobre o assunto, estudou as vantagens do biodiesel de inajá e afirmou que estudos acerca da palmácea já geraram frutos positivos, como a previsão da instalação de uma usina de biodiesel em Mucajaí, cujo anúncio foi feito no ano passado. "A palmeira oleaginosa pode ser cultivada em todo o estado, com manejo barato, acessível ao pequeno produtor. Assim ela pode representar uma grande mudança na condição econômica do estado", finalizou.
Os investimentos em Roraima, patrocinado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agregam recursos que ultrapassam os R$ 3 milhões. Além de núcleos da Embrapa, o projeto envolve diversas universidades do país. Em Roraima, conta ainda com o apoio do Museu Integrado. (Y.L.)