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HIDROPONIA
Empresa vende 3.500 pés de alface todo dia

Data: 19/04/2010


Fonte: A A A A

Foto:  

“Sou a rainha da alface”, diz a empresária Leocida
ANDREZZA TRAJANO

A agricultura sustentável, que parecia tão improvável em Roraima há alguns anos, vem ganhando espaço com a introdução de novas técnicas que visam ao equilíbrio do meio ambiente junto à economia e ao homem.

Um destes recursos é a hidroponia, processo que consiste em cultivar plantas sem solo, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta.

A família Barbosa, que veio do sul do país, apostou na diversificação do plantio junto à inovação. Há dez anos, ela implantou aqui o cultivo da alface hidropônica. À época, conta a chefe da família - e dos negócios -, Leocida Maria Barbosa, a dona Deusa, 60, ninguém queria comprar, todos achavam estranho uma hortaliça que era cultivada em estufa e suspensa, sem solo.

A ideia partiu do filho, Lorival Antônio Barbosa, que havia feito um curso técnico em hidroponia em Minas Gerais e estava empolgado com a novidade. Ao chegar aqui, tentou um empréstimo financeiro junto a um banco para iniciar o negócio, mas recebeu um sonoro não como resposta.


As mudas são “plantadas” em canos de PVC, por onde circula a água com os nutrientes, sustentadas por pedaços de isopor

“O gerente perguntou se ele estava maluco. Disse que a técnica não se aplicava em Roraima, que não tínhamos clima para este cultivo”, lembra dona Deusa. Mas, como o rapaz estava determinado e contava com o apoio dos pais, foram necessários apenas sobras de madeira e pouco dinheiro, além de muita visão de negócio, para construir as primeiras nove estufas na casa da família, no bairro Santa Teresa II.

Hoje, são 34 estufas no mesmo local, que, além de residência, virou a maior empresa do ramo no Estado. Outras 300 estufas foram construídas no sítio da família, na região do Carrapato, no bairro Centenário, de onde saem 3.500 pés de alface todos os dias para 120 pontos comerciais em Boa Vista e no Amazonas.

“No começo, para vender 50 alfaces era um sacrifício, ninguém queria, dizia que era artificial. Agora nosso negócio cresce de vento em popa. E se não formos nós, Roraima fica sem alface no inverno”, destaca a empreendedora.

O motivo é simples: “A alface é limpa, caprichada, cuidada com carinho e bastante protegida, o que a torna gostosa e com excelente aparência. Não há química, nem desperdício de água, pois utilizamos um sistema de reaproveitamento, sem falar que não existe impacto ambiental. É extremamente saudável”, ressalta.

Com o empreendimento dando certo, a família Barbosa decidiu investir. Lourival foi estudar agronomia na Universidade Federal de Roraima e trouxe mais conhecimento ao negócio. Diversificou e ampliou o cultivo de culturas. Somados à alface, agora há o almeirão, agrião e a couve, também hidropônicos. No Amajari, planta arroz.

Da semente na bandagem até ficar pronta para chegar à mesa do consumidor, a alface leva 55 dias. “Antes, não tínhamos nada, hoje estou rindo à toa. Sou a rainha da alface”, brinca dona Deusa, enquanto mostra com habilidade o cultivo das hortaliças à Folha. O empreendimento sustentável gera 16 empregos diretos e vários indiretos. 

Verduras de clima frio são produzidas em Pacaraima


As irmãs Macuglia gerenciam o negócio que abastece o mercado local com verduras e legumes que só podem ser cultivados em locais com clima mais ameno


As irmãs Macuglia gerenciam o negócio que abastece o mercado local com verduras e legumes que só podem ser cultivados em locais com clima mais ameno

A sustentabilidade também foi a preocupação das três irmãs Macuglia, de município de Pacaraima, quando decidiram há dez anos investir no agronegócio orgânico. Lá, elas cultivam couve-flor, brócolis, repolho, pimentão, tomate, chuchu, alface e frutas como laranja, morango e tangerina, causando o menor impacto ambiental possível.

Depois de 16 anos usando adubo químico na lavoura, elas optaram por investir “na qualidade de vida da família, das pessoas que residem próximo ao sítio e no consumidor, além da preservação do meio ambiente”, diz Marelize Macuglia, 46, uma das irmãs proprietárias do negócio.

Antes, cada uma delas tinha seu próprio negócio. O desenvolvimento sustentável as uniu, e elas formaram uma sociedade altamente lucrativa. Do plantio em seis hectares, subiu para 182. Hoje movimentam entre R$ 250 e R$ 500 mil por ano, geram 22 empregos diretos e 50 indiretos.

Mantêm uma loja de frutas e verduras em Pacaraima, abastecem mercados e comércios de Boa Vista e começaram a exportar para Manaus (AM). O adubo é comprado de pecuaristas índios e não-índios da região.

O negócio tem dado tão certo que serve de exemplo para agricultores da região. Alunos de escolas públicas do município também são beneficiados; recebem doações de frutas e verduras para merenda escolar.

Estudantes da escola Agropecuária da Venezuela igualmente adquirem conhecimento com o empreendimento sustentável. Há cinco anos, durante três meses, eles fazem estágio nas lavouras.

As irmãs também investem na agricultura consorciada. Junto à lavora, mantêm intacta uma área de floresta, que futuramente pretendem investir no ecoturismo. Com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), adquiriram técnicas para consolidar e alavancar os negócios.

Sebrae investe no agronegócio

O Sebrae trabalha hoje com diversos segmentos no agronegócio. Há projetos sendo desenvolvidos na piscicultura, apicultura, floricultura, bovinocultura e agroecologia, que abrange a produção de orgânicos. Ainda sobre a produção de orgânicos, atua em parceria com a Embrapa no campo da pesquisa.

Para o gestor de Agronegócios do Sebrae, Rodrigo Rosa, as características de solo e vegetação de Roraima favorecem à agricultura e pecuária, sendo necessário uma organização de produtores e entidades para impulsionar a economia.

“Precisamos partir hoje da potencialidade para a realidade, e este momento está chegando. Temos o possível ingresso da Venezuela ao Mercosul e a necessidade constante daquele país na produção e aquisição de alimentos, a construção da ponte sobre o rio Tacutu, que liga Roraima à Guiana e a perspectiva de construção da estrada que vai asfaltar de Linden a Georgetown, sem falar do mercado amazonense, que vem sendo acessado por vários produtores daqui, fortalecendo nossos investimentos”, destacou.

COMENTÁRIOS
Nome:   
Enderson Kley                          Data: 21:00:29 - 20/04/2010
Essas Senhoras são bem conhecidas aqui na cidade porem elas não se chamão irmãs Macuglia. São as irmãns Kommers. A foto ta com nome errado delas.

COMENTÁRIOS
Nome:   
mauro sérgio                           Data: 18:00:29 - 19/04/2010
A hidropona ou hidrocultura utiliza química sim,a solução nutritiva,é composta de fertilizantes químicos sintéticos,N.P.K,diferente da agricultura orgânica,onde as plantas não utilizam N.P.K,e sim os compostos e adubos orgânicos naturais,preocupando-se em dar vida ao solo,sem agredir o meio ambiente.Aí veremos a diferença do que é um alimento saudável!

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