Boa Vista Quinta-feira, 24 de julho de 2014
Ano XXXIV
Edição 5572
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COMÉRCIO VENEZUELANO
Brasileiros lotam Santa Elena no feriadão

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Fonte: A A A A

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Brasileiros lotaram o comércio em busca dos preços baixos favorecidos pelo câmbio entre as moedas do Brasil e da Venezuela
CYNEIDA CORREIA

Com o câmbio favorável de 2,7 bolívares para cada real, centenas de consumidores roraimenses lotaram o comércio de Santa Elena de Uairén, cidade na fronteira com a Venezuela, durante o fim de semana e o feriado do Dia de Finados. A grande maioria optou por passar todo o final de semana na cidade, e os hotéis, desde os mais simples até o único cinco estrelas da região, estavam com as vagas esgotadas.

Algumas lojas de eletroeletrônicos utilizaram sistema de rodízio, e os consumidores faziam filas para entrar e poder efetuar suas compras. Os produtos preferidos continuam sendo as centrais de ar-condicionado, com preços bem inferiores aos praticados em Boa Vista. Também os computadores portáteis e outros componentes de informática são bastante procurados nos pequenos comércios da cidade.

Conforme o professor Antonio Lima, vale a pena fazer compras no país vizinho. “Consegui trocar real a 2,8 bolívares, e os aparelhos de ar-condicionado estão com preços atrativos. Sem falar que tem o passeio, o clima, as cachoeiras”, comentou.

Para a dona-de-casa Raimunda Lima, a viagem já é uma preparação para o Natal. “Aproveitei para começar as compras de final de ano. Os enfeites natalinos estão bem diferentes e baratos e as bebidas estão com preços três vezes menores que no Brasil. Comprei até uma árvore de Natal”, frisou.

Outros produtos que atraem a atenção dos roraimenses são as bebidas alcoólicas, como tequila, uísques e vinhos importados, gêneros alimentícios em geral, especialmente leite, manteiga e bolachas, além de produtos de limpeza e higiene.

A estudante Joana Rodrigues disse que aproveitou o feriado para ir com toda a família fazer compras. “Nós chegamos na sexta-feira à tarde e vamos ficar até segunda. Assim, aproveitamos para passear pelas cachoeiras, rios e em alguns pontos turísticos de Santa Elena e ao mesmo tempo fazer as compras do mês para casa”, afirmou ela.

O comércio do lado venezuelano registra até duas mil pessoas a cada fim de semana na cidade de Santa Elena. Os grandes e pequenos comerciantes vendem de tudo na fronteira, com prioridade para equipamentos de informática e eletrodomésticos. “Tem dia que nem consigo atender tanta gente aqui na minha loja”, ressaltou o vendedor Juan Lopez.

Na loja as ofertas são tentadoras. Televisores de 50 polegadas a R$ 1.500,00 e centrais de ar de 12 mil btus a R$ 550,00. E com uma bonificação nem sempre politicamente correta para quem quer fugir do fisco. As notas fiscais podem vir com preços bem mais baixos do que o que foi pago pelo cliente para facilitar a passagem na fronteira e evitar o pagamento de impostos. A entrada de produtos é limitada a 600 bolívares por pessoa.

PORTO LIVRE – A cidade de Santa Elena de Uairén foi declarada porto livre, ou seja, área de livre comércio, no ano de 1999, mas o processo de efetivação do porto tem sido lento. Apenas alguns produtos estão inseridos dentro do regime legal de isenção, como por exemplo, as bebidas, com preços mais econômicos que na maioria das cidades venezuelanas.
   
Turistas são revistados com mais rigor

A revista nos carros e na bagagem dos brasileiros no posto de fiscalização da Secretaria Estadual da Fazenda, em Pacaraima, por policiais federais, se intensificou no feriado prolongado. Filas imensas formaram-se no posto da Sefaz. Todos os veículos eram abertos e revistados pelos federais em busca de produtos contrabandeados. Um policial federal que estava na fronteira explicou que as inspeções são necessárias, pois aquela área é ponto estratégico em matéria de segurança do País, devido ao fato de ser uma zona fronteiriça.

“Temos que lembrar que é uma zona de alto risco, por ser área fronteiriça, e nesse sentido, as autoridades precisam estabelecer controle. O turista tem que entender que são procedimentos que devem ser cumpridos”, disse.

Nos feriados prolongados aumenta em até cinco vezes o número de pessoas passando na fronteira com o país vizinho. Devido à valorização do real frente ao bolívar, o fluxo tem crescido. Os turistas brasileiros são atraídos principalmente por notebook, pendrive e aparelhos de TV, porém o campeão da preferência são as centrais de ar.

Não há impedimento de o turista ir à Venezuela fazer as compras e trazer o produto ao Brasil, desde que seja feita a declaração. O contribuinte que entrar no Brasil com um bem cujo valor exceda os 300 dólares e não declarar está sujeito à pena de perdimento do produto, caso seja identificado pela fiscalização durante a viagem ou até mesmo no destino.

Na fronteira existe uma relação com os valores dos produtos praticados no mercado venezuelano. Durante a abordagem, caso o contribuinte tenha comprado produtos acima da cota permitida e não esteja com o dinheiro para pagar o imposto, é feito um termo de retenção da mercadoria. O bem só é devolvido ao consumidor depois que efetua o pagamento do imposto à Receita Federal.

O cálculo do imposto de importação é feito com base na cotação oficial do bolívar frente ao real, e não na cotação paralela, ou seja, aquela praticada pelos cambistas ilegais que atuam nas ruas de Pacaraima e Santa Elena – condição pela qual o contribuinte compra os produtos venezuelanos.

“Eu acho importante essa revista, pois dá mais segurança para quem viaja. Só não entendi por que a Polícia Federal está no posto da Receita estadual. O número de policiais é pequeno também e a fila estava enorme. Mas ele nos atendeu muito bem, foi muito gentil na revista”, conta a jornalista Rebeca Lopes, que foi passar o feriado no país vizinho.

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