Boa Vista Sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Ano XXXIV
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Opinião                


ENSINAR NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO

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Fonte: A A A A

Na perspectiva progressista, Paulo Freire esclarece que ensinar não é transferir conhecimento. O conhecimento é adquirido a partir das possibilidades que o educador cria para o educando. O professor precisa ter consciência de que é necessário para sua formação docente, que o seu discurso teórico não seja diferente de sua prática docente, ao contrário, sua prática deve ser um exemplo concreto de sua teoria, de forma que, agindo assim, tenha condições de passar segurança para seus alunos. É necessário que esteja sempre aberto ao diálogo, atento a curiosidade do aluno, curiosidade essa, que Paulo Freire denomina de curiosidade ingênua e que posteriormente com o auxílio do professor, pode tornar-se uma curiosidade epistemológica. O professor deve fazer, sempre uma auto-análise, uma reflexão de sua práxis, pois sua tarefa é ensinar e, como ensinar não é transferir conhecimento, o professor deve ensinar ao aluno a pensar certo e, pensar certo, implica em colaborar e ajudar o aluno a desenvolver a sua criticidade. E
ssa atitude é uma tarefa difícil, porque estamos acostumados a receber conteúdos prontos, portanto, estamos (mal) acostumados e acomodados com esse tipo de situação, por isso é preciso mudar.

Só conseguiremos essa mudança quando tomarmos consciência de que somos seres, e como Paulo Freire bem denomina seres inacabados, e a partir do momento que temos consciência desse fato, ou seja, desse inacabamento, embora continuemos condicionados, temos a consciência de que podemos mudar esse determinismo e interagir com o mundo de forma ativa, consciente.

As condições materiais, econômicas, sociais, políticas, culturais e ideológicas, em que estamos inseridos, geram barreiras de difícil superação para o cumprimento de nossa tarefa de tentar mudar a situação vigente. A nossa concepção de educação, perante os fatos e acontecimentos ocorridos no mundo, exige de nós uma consciência crítica, e essa criticidade, deve ser estimulada, para que posteriormente venha a tornar-se uma curiosidade epistemológica, sendo assim, teremos plena consciência de nosso inacabamento, o que consequentemente nos trará uma nova concepção de mundo.

O professor que não respeita o aluno, como um ser que pensa que interage, não cumpre com o seu dever de educador, é importante dar possibilidades para que o aluno possa desenvolver suas habilidades, esse processo é de suma importância, tanto para professor como para aluno. O bom senso deve ser exercitado pelo professor, para que possa dar suporte para não transgredir a ética, e poder orientar o aluno de forma coerente, assumindo sua autoridade de professor. O professor deve também respeitar os “limites” do educando, jamais ridicularizá-lo perante os outros, é necessário que seja compreensivo e entenda que para exercer sua tarefa docente, além de ser tolerante, deve ter amor pela profissão e pelo educando, respeitando sempre sua autonomia. O educador é um formador de opiniões e como nos referimos anteriormente, não passa despercebido pelo aluno seu exemplo. Estamos todos em constante processo de aprendizagem e é preciso que haja uma interação maior entre professor e aluno para que isso ocorra de forma harmonio
sa, pois quem ensina, também aprende. O ato de ensinar deve ser um ato de amor, de alegria, de esperança. A atividade educativa deve ser exercida, mesmo diante das dificuldades e adversidades que surgem no exercício docente. Devemos usar nossa criticidade para que não nos conformemos com a situação de nosso país, nem aceitemos o que o discurso neoliberal prega, de que a situação está dessa forma, por pura fatalidade. A mudança é difícil, mas não impossível.

A curiosidade é algo primordial no processo de ensino-aprendizagem, sem curiosidade não aprendemos, não questionamos, apenas decoramos, memorizamos. É a curiosidade que nos aproxima da prática investigativa, do desafio de desvendar o objeto pesquisado, é ela que nos inquieta e nos induz a buscar o conhecimento, e tudo isso só é possível se, professor e aluno construírem e reconstruírem, formarem e reformarem o que a realidade do contexto educacional solicita cotidianamente. Voltamos a dizer, mudar é difícil, mas não é impossível.

* Por Conceição Sousa, Luciana, Nilzanete, Edgard, Ana Claudia, Débora, Ana Cristina e Adriana Melo, acadêmicos do Curso de Pedagogia da UFRR, sob orientação da Profª Drª Gilvete de Lima Gabriel, na disciplina Didática II.


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