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Cidades                


Produtor diz que não tem apoio para criar codornas

Data: 03/11/2012


Fonte: A A A A

Foto:  

O produtor vende ovos e as codornas para o consumo
OZIELI FERREIRA

Um mercado promissor e o rápido retorno econômico foram os motivos que levaram o produtor rural Antônio Alves da Silva, 58, investir na criação de codorna no Estado. Ele trabalha no ramo há cinco anos, mais somente a partir de 2010 que a produção foi intensificada. Hoje, com dois galpões, 10 mil codornas de quatro tipos, é possível produzir 1.600 ovos por dia. Nesse ramo, ele disse que conseguiu vencer muitas dificuldades, mas o que ainda persiste é o custo da produção, por conta do preço alto da ração, pois a maioria vem de fora.

“Não tenho apoio de governo algum. Não temos associação de criadores de codorna em Roraima, isso implica dificuldades, pois os governos municipal, estadual e federal não dispõem de financiamento para compra de ração. Há dois anos, como o apoio de técnico da Seapa [Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento], Paulino Cabral, está lutando para ver se consigo financiamento diretamente para criação de codorna”, disse.

Antônio comentou que por mês gasta uma média de R$ 5.600,00 somente com ração, que inclui milho, xerém de arroz, soja, farinha de osso, premix, casquinha de ostra e calcário fino, sendo que seu faturamento mensal é de aproximadamente R$ 8 mil. “A casquinha de ostra, por exemplo, que serve para deixar a casca do ovo mais resistente, vem de outro país, por isso temos que pagar em dólar”, ressaltou.

Sem incentivos e visando garantir um lucro maior, pois hoje 60% do que é arrecadado são para custear as despesas, o produtor teve que se adaptar ao longo dos anos. Primeiro, Antônio Silva investiu na compra de máquinas para fazer as gaiolas, para montar os galpões, e comprou gerador de luz.  Depois, criou uma fórmula que possibilita misturar massa de buriti com milho, soja, farinha de osso, premix, casquinha de ostra e calcário fino, que segundo ele, é o diferencial da ração. “Acrescento 10% de massa de buriti na ração e temos tido bons resultados. É uma receita nossa. Aconselho as pessoas não fazerem essa mistura se não souberem”, avisou.

Apesar dos obstáculos, o produtor disse que se sente um vitorioso, pois começou num espaço pequeno, com somente duas mil codornas. Hoje, com 10 mil, consegue empregar 14 pessoas. “Sobrevivemos da nossa criação. Fornecemos ovos para chocadeira, para consumidor, assim como a carne, filhote e matriz. Mas precisamos de incentivo. Há produtores que estão desistindo porque não tem apoio”. Ele disse que o processo mais caro da produção é a ração, pois um saco com 50 quilos custa R$ 53,00.

Para expandir a produção, seu Antônio pediu financiamento ao banco. Se o empréstimo sair, vai investir na criação. “O projeto que apresentei ao banco é para 50 mil codornas, vou ampliar o espaço e construir uma cozinha para trabalhar com codorna abatida e com ovos industrializados”, disse. Por enquanto a comercialização da produção se limita aos municípios de Boa Vista, Pacaraima, Bonfim, São Luis do Anauá, Caroebe e Rorainópolis. Um pacote com 40 ovos custa R$ 5,00, com 85 sai por R$ 10,00.


Manejo envolve trabalho de toda a família

Ao iniciar a criação de codornas, o produtor rural Antônio Silva foi cauteloso em alguns aspectos referente ao manejo, que engloba produção, reprodução e alimentação das aves. “Costumo dizer que para criar codorna é preciso saber cuidar de criança, pois exige cuidado e atenção 24h”, frisou. A primeira pessoa que acorda para cuidar das aves é a dona Maria dos Anjos, 46, esposa de Antônio, que começa a rotina às 4h da manhã e o último a dormir, depois de conferir se os galpões estão fechados, a temperatura está na medida certa, é o seu Antônio, por volta da meia noite. “A fiscalização é minha. Não quero que nada dê errado lá na frente, pois trabalhamos direto com o consumidor”, ressaltou.

A rotina é corrida e extensa, por isso, toda a família trabalha na produção de codorna, que totaliza 14 pessoas. Os ovos são retirados da gaiola todos os dias, assim como é trocada a água e colocada a ração. “Num período de 24h, as aves se alimentam seis vezes. Elas não chegam a comer dez gramas de ração ao dia. A nossa codorna pesa cem gramas, a preferida do consumidor. Nesses dois anos já vendemos 78.770 codornas abatidas para o comércio, vendida ao preço de R$ 2,50 a unidade”, contou.

Com 45 dias, a ave já produz ovos. Mas antes de chegar nesse estágio, ela passa por três processos. Primeiro, o berçário, onde ficam os ovos para eclodir. De lá vai para o criador, onde passa 25 dias, com luz e temperatura de 38º a 40º graus. Depois são colocadas no viveiro terminal, onde permanecem por 20 dias, daí é que vão para o segundo galpão em que ficam as baterias com as gaiolas para reproduzirem. Em cada fase, se alimentam de um tipo de ração específica.

No galpão de reprodução, foi colocado um aparelho de rádio. Silva disse que o som é indispensável dentro da granja, pois as aves são sensíveis a presença de pessoas. “O rádio fica ligado 24 horas, mesmo quando a programação sai do ar. É uma forma das codornas relaxarem e não estranharem a presença das pessoas. Elas escutam noticiário, programa musical, missa, culto. Se elas tomarem susto com a presença de alguém, ficam 15 dias sem botar ovos, isso gera prejuízo”, contou. Essa inovação possibilita visitas à granja. Ele disse que o consumidor que vai até o sitio comprar ovos, pode até entrar no galpão para escolher.  


Estrutura das baterias foi feita pelo próprio produtor

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