Como está foragido, Cirilo Barros não compareceu à sessão e o julgamento aconteceu à revelia, com a presença do advogado de defesa
NONATO SOUSA
Numa sessão marcada por pedidos de Justiça pela família do empresário Francisco Mesquita, o Chico da Meta, que atuava no ramo da aviação civil em Roraima, assassinado a tiros em maio do ano passado, o Tribunal do Júri Popular (TJP) julgou ontem um dos dois réus denunciados pelo crime, Cirilo Barros Ferreira, 63. A sessão entrou pela noite e o resultado só sairia depois perto das 23 horas.
Já que o acusado fugiu da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo em abril deste ano, a cadeira reservada ao réu ficou vazia por todo o período da sessão. Os trabalhos do TJP começaram por volta das 8h com o sorteio das sete pessoas da sociedade que compuseram o corpo de jurados. Depois veio a série de depoimentos das testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPRR) para serem ouvidas em plenário.
Compareceram 12 das 13 pessoas intimadas e os depoimentos se prolongaram até por volta das 16h. Em seguida foi a vez do promotor de justiça Madson Carvalho usar a palavra para defender a denúncia oferecida pelo MP contra Cirilo Barros por crimes de homicídio duplamente qualificado e porte e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e permitido.
O promotor falou por uma hora e meia. Depois foi a vez do advogado de defesa do réu ausente, Ednaldo Vidal, que também teve o mesmo tempo para tentar convencer os jurados que seu cliente era inocente da acusação. Ednaldo tentou desclassificar a denúncia do MP e trabalhou a tese de negativa de autoria do homicídio, já que ao seu cliente é atribuída a acusação de ter efetuado os tiros que mataram o empresário Chico da Meta.
O advogado destacou que seu cliente não negou que esteve no local do crime, mas que não atirou na vítima. Alegou que foi coagido a ir até onde o empresário estava. “A participação do meu cliente nesse caso foi de menor potencial”, frisou o defensor.
Por volta das 19h, o promotor voltou a falar com os jurados, desta vez para a réplica de uma hora. Ele reforçou a denúncia do MPRR e rebateu o argumento do advogado de defesa. Ratificou a acusação contra Cirilo Barros e lembrou que o réu tem um histórico de violência, inclusive é acusado de outros assassinatos fora de Roraima, de onde inclusive é considerado fugitivo da Justiça, tal como agora em Roraima.
Depois, também por uma hora, o advogado voltou ao debate para mais uma vez pedir que os jurados absolvam seu cliente por falta de provas na acusação. Por fim, por volta das 21h, ao final da fala do advogado Ednaldo Vidal, a juíza Maria Aparecida, que presidiu a sessão encaminhou os jurados para a sala secreta onde eles decidiriam pela condenação ou não do réu. Até o fechamento desta matéria, por volta das 22 horas, não foi divulgado o resultado.
Família pede justiça
Familiares de Chico da Meta vestiram camiseta pedindo justiça
Familiares e amigos do empresário assassinado se revezaram por todo o dia e parte da noite que durou a sessão de julgamento. Eles vestiam uma camisa branca com a foto de Chico da Meta que trazia a palavra “Justiça”. Esse era o único sentimento de desejo expressado por eles.
Policial diz que Vivi ofereceu dinheiro para não ser preso
O empresário Chico da Meta foi assassinado na noite do dia 12 de maio de 2011, quando saía de uma pizzaria e chegava ao seu carro, no bairro Aparecida. Conforme as declarações das testemunhas, o assassino se aproximou dele e disparou vários tiros, sem dar chance de defesa à vítima.
O criminoso fugiu em um carro Celta preto. Uma das testemunhas seguiu o veículo que foi parar minutos depois na casa do também empresário da aviação local e primo de Cirilo, Vibaldo Nogueira Barros, mais conhecido por Vivi.
A mesma testemunha revelou para uma das equipes da Polícia Militar que atendeu a ocorrência, o paradeiro do carro com o assassino e, na mesma noite, poucos minutos do crime, Cirilo foi preso junto com Vívi, este último acusado de ter sido o mandante do assassinado do empresário rival.
Na casa foram apreendidas armas e munição suspeitas de terem sido usadas no crime. Um dos PMS que fez a prisão de Cirilo e Vivi contou ontem, durante seu depoimento em juízo, que quando realizava a prisão de Vivi e seu primo, o empresário chegou a oferecer dinheiro para ele e a guarnição não o prenderem.
Como não aceitou, Vivi teria feito ameaças dizendo que era influente com as autoridades do Estado e inclusive teria chegado a ligar para um coronel da PM e para outra autoridade da política local para que interviessem no caso.
FORAGIDO - O acusado Cirilo Barros, que até abril deste ano se encontrava preso na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, fugiu na madrugada do dia 5 daquele mês, junto com outro preso, Josias Severino Chaves, condenado a mais de 50 anos de prisão por crime de tráfico de drogas. Até ontem os dois não tinha sido recapturados. A informação mais recente sobre Cirilo dá conta de que ele estaria vivendo na Venezuela.
O empresário Vivi, acusado de ser o mandante do crime, deveria ter sido julgado na sessão de ontem também, mas um recurso impetrado pelos seus advogados evitou que ele sentasse no banco dos réus nesta data. Ele continua preso no Comando da Polícia Militar aguardando o julgamento do recurso e só depois disso é que a 1ª Vara Criminal de Boa Vista que trata dos crimes contra a vida deve marcar a data do seu julgamento popular.
COMENTÁRIOS
Nome:
10260-zenaide magalhaes de sousa Data: 14:59:04 - 29/08/2012
Fugiu saindo pela porta da frente, isso é uma vergonha.