O desmatamento somou 56 mil quilômetros quadrados de áreas devastadas
ANA KARINE OLIVEIRA
Dados apresentados pelo Sistema de Monitoramento em Tempo Real (Deter), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que Roraima é o único Estado que não manteve ou reduziu a taxa de desmatamento local, no período de 2011 a 2012. Ao contrário, o Deter revelou que o desmatamento da região amazônica aumentou apenas em Roraima, com acréscimo de 218%. O estado contabilizou 56 mil quilômetros quadrados de áreas devastadas, enquanto que entre agosto de 2010 e julho de 2011, a área desmatada somava 18 mil quilômetros quadrados.
De acordo com a superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Nilva Cardoso, há fatores que influenciam no aumento desse número: “Um deles é a cobertura de nuvens no tempo em que o satélite passa na nossa região num momento não muito oportuno, o período agrícola. Há uma procura maior de agricultores por autorizações. Quando não conseguem, acabam extraindo ilegalmente madeiras”, destacou.
Outra questão é a vinda de empresas oriundas de outros lugares para Roraima. Muitas não estão autorizadas a realizar extração de madeiras e mesmo assim, tentam de qualquer forma, sem origem e sem controle, realizar o desmate, agindo criminosamente.
A superintendente afirma que o Ibama já está realizando ações de combate ao crime ambiental, por meio do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), juntamente com outros órgãos, para diminuir esse número até o fim do ano.
“Podemos citar como exemplo, a Operação Salmo 96:12, que em maio deste ano desarticulou uma complexa organização criminosa responsável por desmatamento. Inúmeros servidores públicos estavam envolvidos no esquema, resultando em prisão de várias pessoas por violarem a lei. Espera-se que haja uma fiscalização mais contundente também de outras instituições municipais, estaduais e federais e assim possamos amenizar o problema”, enfatizou Nilva.
Para o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Benjamim Bordallo, isso pode estar relacionado às transformações decorrentes de ocupações das áreas florestais no Estado. “Um ponto positivo é que o número não incidiu nas áreas protegidas pelo ICMBio. Mas é reflexo de mudanças dos processos sociais vividos em Roraima. Partindo do pressuposto de que essas áreas sejam de ordenação e ocupação, deve haver conscientização e torná-las áreas de serviços e melhorias para a sociedade”, frisou.
A Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (Femarh) não se manifestou sobre o assunto.