OPERAÇÃO XAWARA Cinco aviões usados em garimpo ilegal foram apreendidos pela PF
Data: 21/07/2012
Fonte: AAAA
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Os aviões apreendidos eram utilizados na logística da garimpagem ilegal na reserva Yanomami
VANESSA LIMA
A Polícia Federal prendeu 31 pessoas que tiveram mandado de prisão temporária expedidos por suposto envolvimento na organização criminosa que financiava o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, desarticulada por meio da operação Xawara. A Justiça decretou a prisão de 33 acusados entre aviadores, empresários ligados ao ramo de joalheria e proprietários de balsas e motores utilizados na extração ilegal de ouro na reserva indígena.
Uma semana após a deflagração da operação, seis pessoas continuam presas. Três pilotos e três auxiliares de aviação tiveram a prisão temporária de cinco dias prorrogada. O delegado da PF Ricardo Duarte, coordenador da operação Xawara, informou que não é descartada a possibilidade de conversão da prisão temporária para preventiva de alguns dos envolvidos.
“Foi pedida a prorrogação da prisão temporária porque algumas aeronaves vinculadas a essas pessoas ainda não foram encontradas. A preocupação é que essas pessoas fujam do Estado e ainda de que não permitam a apreensão desses aviões, que são instrumentos para a prática dos crimes investigados”, detalhou.
Cinco aviões completos e um incompleto (as peças) foram apreendidos em fazendas ou pistas de pouso clandestinas na zona rural. Foram concedidas onze autorizações para apreender aeronaves utilizadas na manutenção do garimpo ilegal.
Além disso, durante os mandados de busca e apreensão, foram apreendidos R$ 214 mil, uma pequena quantia de dólar americano, dólar guianense e de bolívar. Aproximadamente 7 kg de ouro foram recolhidos também.
Ainda nove armas de fogo, 572 munições, nove rádios amadores, cinco computadores e 215 litros de combustível de possível procedência da Venezuela foram apreendidos. A PF recolheu também diversos carros de luxo e ainda está à procura de duas Kombis (placas NAN-5256 e NBA-0692) e uma Saveiro (placa NUI-1800).
“A PF ainda não encerrou a operação Xawara. Nós ainda estamos em campo e a procura de alguns aviões e de outros veículos que ainda não foram apreendidos”, destacou o delegado Ricardo Duarte.
Ele informou ainda que o inquérito policial com o detalhamento de todo o esquema que estava em andamento será relatado o mais rápido possível. “Uma grande equipe está trabalhando para tentar finalizar o procedimento. Uma vez relatado, o inquérito policial é remetido ao Ministério Público Federal a fim de que ofereça denúncia criminal”, explicou o coordenador da ação.
A operação Xawara foi resultado de mais de oito meses de investigação, um trabalho realizado em conjunto pelo Núcleo de Inteligência Policial e Núcleo de Análise do Departamento de Polícia Federal em Roraima. O Ministério Público Federal em Roraima também teve participação.
Sem alimentação e logística, garimpeiros se entregam
O delegado Ricardo Duarte, na foto com o superintendente da PF, Alexandre Saraiva e o procurador Rodrigo Timóteo, é o responsável pelas investigações
Com a desarticulação dos cinco grupos criminosos - três de aviadores, um de joalheiros e um de empresários do ouro e proprietários de balsas e de grandes maquinários - que atuavam para manter a atividade de extração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami, os garimpeiros que estão em área começaram a se entregar.
Conforme o delegado da PF Ricardo Duarte, coordenador da operação Xawara, sem alimentação e a logística que permitia a permanência dessas pessoas na reserva indígena, desde a semana passada diversos garimpeiros têm sido retirados de área.
“Na semana passada foi removido um grupo grande de garimpeiros e chegou a notícia de que outros estão pedindo para sair da área. Imaginamos que sem esse apoio logístico, daqui a cerca de uns dez dias, a terra indígena vai estar, se não totalmente desocupada, com poucos garimpeiros por lá”, destacou Duarte.
Foram apontados nas investigações:
• 11 aviões utilizados pelos criminosos para a manutenção do garimpo na TIY;
• 03 empresas que receptam o ouro;
• 08 pilotos e um mecânico de aeronave que auxiliam na lavra ilegal do ouro levando insumos para o garimpo;
• 06 empresários proprietários de balsas e motores para a extração do ouro;
• 12 veículos utilizados diretamente pelo grupo para apoiar a atividade.
As investigações resultaram em:
• 33 Mandados de Prisão Temporária;
• 44 Mandados de Busca e Apreensão;
• Autorização para apreender 11 aviões;
• Autorização para apreender ouro, pedras e metais preciosos;
• Autorização para apreender 12 veículos;
• Suspensão da autorização para pilotar aviões de oito pilotos e de um mecânico.