Boa Vista Sexta-feira, 24 de maio de 2013
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Polícia                


Motorista de ‘carro-bomba’ mata indígena em acidente na BR-174

Data: 21/06/2012


Fonte: A A A A

Foto:  

Dionísio tinha saído da Vila Brasil e seguia para a comunidade indígena Ponta da Serra quando teve a moto colidida por trás
NONATO SOUSA

Um grave acidente envolvendo mais uma vez um “carro-bomba” que fazia o transporte clandestino de combustível venezuelano para revender em Boa Vista, por sorte não explodiu ao colidir em uma motocicleta e provocar a morte do microscopista indígena, Dionísio Miguel Simplício, 62. O acidente aconteceu na manhã de ontem por volta das 7h, na BR-174 sentido Pacaraima, a cerca de 92 quilômetros de Boa Vista. O motorista do carro, um Vectra, fugiu depois do acidente e até o fechamento da matéria, às 18h, não tinha sido localizado nem identificado.

O carro ficou abandonado no local e foi saqueado por populares. A polícia suspeita que o veículo seja “cajá” e utilizava uma placa possivelmente fria da cidade de Viçosa (Minas Gerais). A Folha apurou que dentro do veículo havia cerca de 700 litros do combustível estrangeiro em corotes, mas quando a polícia chegou ao local não encontrou mais nada. Até os pneus do Vectra e outros acessórios do automóvel foram saqueados. Por outro lado a motocicleta Titan de cor vermelha que era conduzida pela vítima ficou completamente destruída e se reduziu a uma montoeira de ferro retorcido no asfalto.

Devido ao impacto violento, Dionísio Simplício morreu no local e posteriormente, ao final do trabalho policial, o corpo dele foi removido ao Instituto de Medicina Legal (IML), em Boa Vista, para realização do exame cadavérico que determina a causa da morte. À tarde, após a conclusão do procedimento médico legal, o cadáver da vítima foi entregue para a família realizar velório e sepultamento que acontece hoje na Vila Brasil, onde a vítima morava com a família.

Ontem, enquanto aguardavam a liberação do corpo do indígena, familiares e amigos conversaram com a Folha. Indignados, eles cobraram justiça para o caso e a prisão do motorista que fugiu depois de causar sua morte. Dionísio era índio da etnia Macuxi e segundo informou o amigo e secretário de assuntos indígenas do Município do Amajari, Francisco Rodrigues Júnior, Dionísio atuava pela missão Kaiuá, conveniada com a Sesai e trabalhava com a saúde indígena há 25 anos.

Explicou que a vítima trabalhava no posto de saúde na comunidade da Vila Três Corações e na ocasião do acidente tinha acabado de sair da vila e seguia para a comunidade indígena Ponta da Serra, onde ia entregar um relatório de produção de atendimento do mês, quando teve a moto atingida por trás pelo carro. O secretário esteve no local e disse que o acidente aconteceu na entrada da comunidade indígena. Também informou que depois de colidir na motocicleta de Dionísio o carro ficou desgovernado e saiu da pista, desceu o aterro e bateu ainda em um pé de Caimbé, momento em que parou.

Um dos amigos do indígena morto que também aguardava a liberação do corpo disse para a reportarem que depois do acidente o motorista teria incentivado as pessoas a saquearem a gasolina venezuelana que ele carregava no carro. Também teria instigado as pessoas a atearem fogo no carro, o que não aconteceu, e depois conseguiu fugir.

O caso foi atendido por policiais militares daquela região, mas com a chegada de uma equipe de policiais rodoviários ao local, a ocorrência ficou a cargo da instituição federal, a quem compete à fiscalização policial no trecho da rodovia federal.

O delegado Fernando da Cruz, da Delegacia de Polícia Civil do Município de Pacaraima, a quem compete à investigação do caso, esteve à tarde no IML e conversou com a Folha. Ele disse que expediu a guia de remoção cadavérica e vai aguardar a equipe da Polícia Rodoviária Federal entregar o relatório sobre o acidente para instaurar o inquérito policial que vai investigar as circunstâncias do acidente e quem deu causa.  

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353-Renato Ribeiro de Carvalho                          Data: 15:47:32 - 22/06/2012
Não adianta simplesmente a polícia prender. Isto não vai solucionar o problema. O crime de contrabando é afiançavel. Além disto, já vi algumas decisões judiciais nos seguintes termos: "A Polícia Federal não tem mais nada para investigar além disto" (referindo-se a gasolina contrabandeada). Já vi a própria imprensa local defendendo estes criminosos. Também sei que houve apreensão de combustível venezuelano próximo a diversas malocas, ou seja, alguns indígenas participam ou são coniventes com o contrabando. Enquanto a diferença no preço do combustível comercializado na Venezuela em relação ao combustível vendido aqui for muito alto vai continuar havendo o transporte nestes "Carros-bombas". O que é lamentável e perigoso.

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10772-eunice cristina de araújo                          Data: 17:49:30 - 21/06/2012
lembro-me bem que no ano passado, a PRF fazia intensa fiscalização naquela região, na tentativa de coibir este tipo de infração, e a população daquela localidade (três corações), ao invés de apoia-la, planejava uma manifestação em protesto a essa operação. Em matéria veínculada, neste diário do dia 15/10/2011 trazia que "Os moradores estavam assustados, pois as frequentes perseguições da PRF aos gasolineiros aconteciam à luz do dia e sem qualquer preocupação com a segurança de moradores que vivem às margens da BR-174 e motoristas que trafegam na rodovia". Será que os gasolineiros estariam preocupados com esta segurança alegada? nas perseguiçoes já houve o atropelamento de alguém pela PRF? ou será que o interesse em retirar a PRF era outro? agora, como morreu algum deles, a PRF está fazendo falta.

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Nome:   
1294-Francisco                           Data: 10:15:33 - 21/06/2012
Esse fato demonstra que a nossaa fronteira com a Venezuela contínua desguarnecida sendo propícia para toda e qualquer prática ilícita. H amuito tempo esse tráfico de gasolina vem direta e indiretamente trazendo problemas, so quem nao ve sao as autoridades, principalmente a policia federal!! No posto que abastece brasileiros na fronteira com a venezuela a propina rola solta, sendo que a maioria dos veiculos que ali abastecem sao esses ditos cajás. carteira de motorista la nem existe!! É preciso ter fiscalizaçao permanente naquela fronteira...pois "onde passsa o boi passa tambem a boiada"!!

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