Ruydeglan Leite veio do Maranhão e escolheu uma parada de ônibus para passar o dia e dormir
VANESSA LIMA
O maranhense Ruydeglan Leite, 31, veio para Roraima há um ano e meio em busca de melhores condições de vida. Entretanto, a realidade tem sido outra. Sem emprego, ultimamente seu “lar” provisório é um ponto de ônibus no bairro Liberdade, em frente ao Centro de Nutrição Infantil (Cernutri), na avenida Ataíde Teive.
Com uma rede servindo de travesseiro, lençol e algumas camisas, seus únicos pertences, ele disse que está morando no local há uma semana. O maranhense vive como um andarilho pelas ruas de Boa Vista e dorme também pelas feiras e na rodoviária.
Ruydeglan tem família no Estado, mas comentou que não gosta de ser um “peso” para ninguém. “Não tenho para onde ir. Eu sou o culpado por tudo isso”, disse ao ser questionado sobre o fato de morar na rua.
Depois de um acidente ocorrido no Maranhão, ele perdeu os movimentos do braço direito e foi aposentado por invalidez, a única renda da qual dispõe para sobreviver. Existem marcas do acidente também em sua cabeça.
Ele informou que já tem cerca de quatro meses que não recebe o benefício. Segundo ele, para fazer uma espécie de recadastramento e normalizar o pagamento é necessária a apresentação de carteira de identidade e CPF, que ele não tem.
“Eu perdi meus documentos, por isso estou sem ter como receber minha aposentadoria. Preciso tirar novamente, mas não sei como fazer isso”, comentou o maranhense sem ter informação de como proceder para ter acesso à segunda via dos documentos.
Sem dinheiro, além de ter que dormir na rua, ele pede comida nos restaurantes para poder se alimentar. “Quando encontro alguém pra me ajudar é bom. Tem gente que me dá alguma coisa”, complementou.
Os riscos de dormir na rua aos quais está sujeito amedrontam Ruydeglan. Mas como não há outra saída, o jeito é se proteger da forma que dá e contar com a sorte. “Nunca me fizeram nenhum mau, graças a Deus”, disse.
Assim que conseguir a liberação de sua aposentadoria, o desempregado informou que pretende voltar para a sua terra natal. Com o valor acumulado que tem para receber, ele acredita que terá condições de comprar as passagens para o seu retorno. Até lá, deverá continuar sobrevivendo nas ruas e contando com a solidariedade das pessoas.
É para isso que existe um órgão do governo chamado SETRABES onde a casa de passagem se encarregava de cuidar de casos assim. Agilizava os documentos do cidadão enquanto ele ficava lá e também era assistido por assistentes sociais,depois de tudo pronto ele ainda conseguia uma ajudinha para voltar para sua terra. E ainda reclamávamos do Brigadeiro, éramos felizes e não sabiamos!!!