DIA “D” DE VACINAÇÃO Campanha já imunizou 55% das crianças
Data: 18/06/2012
Fonte: AAAA
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Meta estipulada pelo Ministério da Saúde é vacinar em Boa Vista 95% das crianças
VANESSA LIMA
O Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, paralisia infantil prevenida somente por meio da vacina, ocorreu no sábado, 16. A Prefeitura de Boa Vista disponibilizou atendimento em 81 postos de vacinação. Ao todo, 55% das 28 mil crianças de zero a 5 anos que são o público alvo na Capital foram imunizados. A campanha segue até o dia 6 de julho.
Para a coordenadora municipal de Imunização, Érika Carvalho, os números alcançados no primeiro dia da campanha foram bastante positivos. A meta estipulada pelo Ministério da Saúde é vacinar em Boa Vista 95% das crianças.
“Os pais tiveram uma boa participação nessa campanha, o que é muito importante, pois a poliomielite é uma doença que está erradicada no Brasil, mas para que continue assim é necessário criarmos barreiras e isso só pode ser feito com a imunização”, explicou Érika.
A dona de casa Deise Bezerra de Souza foi uma das mães que preferiu levar os três filhos para serem imunizados contra a poliomielite logo no primeiro dia da campanha de vacinação. Dentre as crianças está o pequeno Ruan Ítalo, de apenas um mês, que deu o exemplo ao nem estranhar o gosto das duas gotinhas.
“É muito importante a vacina para eles não adoecerem. Eu sempre trago em todas as campanhas e busco também não deixar para a última hora. Gosto de vir nos primeiros dias”, disse Deise.
Fantasiado de um dos super-heróis mais admirados pela garotada, o Batmam, o pequeno Luiz Vitor, de 3 anos, aprovou as gotinhas que garantirão os seus “super-poderes” e uma vida saudável. “É gostosa. É chocolate rosa”, comentou empolgado.
A mãe do menino, a advogada Liliane Ceveira, teve um exemplo em sua família das consequências da poliomielite. “Um primo meu teve a paralisia infantil e até hoje anda de muleta. Uma das pernas afinou. Devido a isso, ele já desenvolveu problemas na coluna. Então nunca deixo de vacinar meu filho. É importante para mantê-lo prevenido”, destacou.
A vacinação estará disponível em todos os centros municipais de saúde até o final da campanha nacional. Para participar basta levar a carteira de vacinação da criança. “As campanhas são importantes também para colocar o cartão de vacina da criança em dia”, salientou Rocicleide da Costa, vice-diretora do Centro de Recuperação Nutricional Infantil (Cernutri) do bairro Liberdade.
Conforme o Ministério da Saúde, a vacina contra a pólio é segura. Ela se destina a crianças menores de 5 anos, mesmo as que estejam com tosse, gripe, coriza, rinite ou diarréia. É importante ressaltar que não existe tratamento para a pólio, apenas a prevenção por meio da vacina.
ESTADO – Para Roraima foram repassadas 71.800 doses para atender a população alvo, que totaliza 47.819 crianças. A meta é imunizar pelo menos 45.428 crianças menores de 5 anos, o equivalente a 95% do público alvo. A mesma porcentagem é meta estipulada pelo Ministério da Saúde para cada município do Estado. O ideal é alcançar a cobertura de 100%.
O Programa Nacional de Imunização da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) é responsável por repassar as doses aos municípios e aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami e do Leste.
Conheça um pouco sobre a poliomielite
A poliomielite ou paralisia infantil é uma doença infecto-contagiosa viral aguda que atinge principalmente crianças de até cinco anos. É caracterizada por quadro de paralisia flácida de início súbito, principalmente nos membros inferiores. Sua transmissão ocorre pelo Poliovírus, que entra pela boca. Ele é carregado pelas fezes e gotículas expelidas durante a fala, tosse ou espirro da pessoa contaminada. Falta de higiene e de saneamento na moradia, além da concentração de muitas crianças em um mesmo local favorecem a transmissão.
O período de incubação (tempo que demora entre o contágio e o desenvolvimento da doença) é geralmente de 7 a 12 dias, podendo variar de 2 a 30 dias. A transmissão também pode ocorrer durante o período de incubação.
A transmissão da doença ocorre por via oral, sendo que o poliovírus pode estar presente nas fezes e gotículas expelidas durante a fala, tosse ou espirro da pessoa contaminada favorecendo a contaminação das pessoas não vacinadas. A doença pode causar danos irreversíveis, dependendo da gravidade pode evoluir para óbito.
O último caso da doença no país foi registrado em 1989, na Paraíba. Em 1994, o país recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) o certificado de eliminação da doença. Embora não haja circulação do vírus no Brasil, neste ano, 16 países registraram casos de paralisia infantil e em três deles a doença é endêmica: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Por isso, para evitar a reintrodução do vírus no Brasil, é fundamental a manutenção da vacinação.
A aplicação das gotinhas tem como objetivo manter o Brasil na condição de país certificado internacionalmente para a erradicação da poliomielite, estabelecendo proteção coletiva com a vacinação de todas as crianças menores de cinco anos no mesmo período. Esta estratégia também permite a disseminação do vírus vacinal no meio ambiente, ajudando a criar a imunidade de grupo.
MS anuncia mudanças na vacinação
Até 2011, o país realizou duas etapas da campanha, em junho e agosto, com a vacina oral. Esta estratégia apresentou excelentes resultados ao longo dos anos, alcançando as metas estabelecidas para cada etapa. No ano passado, a cobertura na primeira etapa chegou a 100%. Já na segunda etapa, a coberta vacinal foi de 99%.
Em 2012, ao contrário dos anos anteriores, a campanha acontecerá em etapa única. A partir de agosto, além das gotinhas disponibilizadas nas campanhas anuais de vacinação, as crianças que estão começando o esquema vacinal, ou seja, nunca foram vacinadas contra a paralisia infantil, irão tomar a primeira dose aos dois meses e a segunda aos quatro meses, com a vacina inativada poliomielite, de forma injetável. Já a terceira dose (aos seis meses), e um reforço (aos 15 meses) continuam com a vacina oral.
Antes, a criança tomava duas gotinhas aos dois meses, aos quatro meses, aos seis meses e aos 15 meses de idade, além das doses durante as campanhas nacionais de vacinação.
A introdução da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), com vírus inativado, vem ocorrendo em países que já eliminaram a doença. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), no entanto, recomenda que os países das Américas continuem utilizando a vacina oral, com vírus atenuado, até a erradicação mundial da poliomielite, o que garante uma proteção de grupo.
O Ministério da Saúde está investindo R$ 37,2 milhões em repasses do Fundo Nacional de Saúde para os estados e municípios. Além deste valor, o Ministério da Saúde também destinou R$ 16,7 milhões para a aquisição das vacinas.
Esquema sequencial da vacinação para crianças que iniciam o calendário