15/07/2012 23h42

Garoto de doze anos é morto a pauladas no bairro Pintolândia


   


Foto:  Arquivo/Folha

O garoto foi encaminhado ao Hospital da Criança, mas não resistiu e faleceu no local


DANIELA MELLER

O estudante Mateus Matos da Silva, 12, morreu na madrugada de ontem após ter sido agredido a pauladas. A polícia investiga duas hipóteses: a primeira de que ele tenha sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), já que a bicicleta pertencente a ele sumiu, ou se o menino se envolveu em alguma briga com integrantes de galera.

A família está desesperada. Segundo a mãe dele, Lucielene Matos Morais, 36, o filho nunca tinha saído de casa sem avisar onde estava. “Fomos informados por volta da 1h de que ele estava internado em estado grave no Hospital da Criança [HCSA] e depois das 3h ele acabou falecendo. Não sei o que realmente aconteceu. O Mateus não era de chegar tarde em casa”.

Conforme as poucas informações obtidas pela Folha, Mateus conversou com um dos irmãos pela última vez, por volta das 18h de sábado, quando disse que iria para a casa da mãe, no bairro Bela Vista. Pouco antes das 22h, ele foi encontrado em estado grave caído em via pública, na rua S-02, no bairro Pintolândia. Em seguida foi socorrido pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado à unidade médica para atendimento especializado.

Segundo relatório da unidade médica, o garoto teria sido vítima de agressão física e ao dar entrada no hospital apresentava sinais de ter ingerido bebida alcoólica.

Ainda de acordo com a mãe de Mateus, assim que chegou ao hospital ela foi levada até ele. “Meu filho estava inconsciente, com um dos braços quebrado, apenas enfaixado, e um corte profundo na cabeça. Depois das 3h uma médica de plantão deu alta e chegou receitar medicamentos para dor e anti-inflamatório. Depois disse que poderíamos ir para casa, mas ele não conseguia nem ficar de pé, mesmo com a ajuda de três homens. Reclamei e disse que eu não iria levá-lo daquele jeito, foi quando aplicaram um soro nele”.

Depois disso, ainda de acordo com Luciene, cerca de 20 minutos se passaram e o garoto começou passar mal. “Ele se tremia, se contorcia, de repente ficou com o corpo duro e estático. Chamei a equipe médica que realizou procedimentos de reanimação e informaram que ele tinha morrido”. Ainda conforme o relatório médico, às 3h20 o garoto morreu, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. (PCR)

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) onde foi atestado como causa morte traumatismo crânio-encefálico (TCE) por ação contundente.

“Primeiro de tudo temos de descobrir o que realmente aconteceu com ele e quem fez isso. Em segundo plano descobrir se houve negligência médica. Só fui informada que fizeram um Raio X no braço dele, porém não ouvi ninguém falar nada sobre algum exame específico na cabeça onde o ferimento era maior e mais grave, e em terceiro, porque a médica resolveu dar a alta se nem ficar de pé ele conseguia. Se deixaram de fazer qualquer coisa que hoje meu filho pudesse estar vivo, vou buscar meus direitos”, finalizou Lucilene. 

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