21/06/2012 01h57

Três adolescentes infratores do Amazonas são transferidos para o CSE de Boa Vista


   


Foto:  Arquivo/Folha

Diretor do CSE afirma que não há nada o que temer com a chegada dos internos do Amazonas


EVILENE PAIXÃO

Um leitor entrou em contato com a Folha para informar que três adolescentes de alta periculosidade foram transferidos do estado do Amazonas para o Centro Sócio Educativo (CSE) de Boa Vista. Segundo o relato, os jovens são integrantes de grupos de narcotráficos e em Manaus havia o risco de eles serem resgatados por criminosos do grupo. Ainda há suspeita que um dos adolescentes tenha assassinado um policial civil.

Após a chegada dos menores, existe dentro e fora do CSE uma sensação de temor. Segundo o e-mail enviado à redação, policiais militares que fazem a segurança no CSE estão revoltados, pois não tem condições de garantir a segurança desses adolescentes de alta periculosidade, pois não existe efetivo policial. “O temor também é pela própria sociedade, caso haja alguma fuga ou uma rebelião na unidade”.

A reportagem entrou em contato com Marco Albano, gerente do CSE, que afirmou que houve sim a transferência de três adolescentes do Amazonas, no entanto, as informações sobre a alta periculosidade não procede, pois os jovens são acusados pelo ato infracional de roubo. “Há 15 dias esses jovens chegaram aqui. Foram transferidos mediante ordem judicial para resguardar a integridade física de cada um, mas nenhum deles faz parte de grupos de narcotráficos”, garantiu.

Questionado o porquê da transferência o gerente explicou que em Manaus, assim como em Boa Vista, existe rivalidade entre “galeras” e os jovens estavam sendo ameaçados por outros grupos. “Nós também temos aqui no CSE a internação de muito jovens que cometeram homicídios, como os jovens que assassinaram recentemente um professor. Mas não há o que temer”, destacou.

Ele ainda informou que o deslocamento dos adolescentes é por um curto tempo e em breve eles vão retornar para seu estado de origem. “É normal quando acontece esse tipo de transferência mexer com a comunidade interna e externa do CSE, mas informo que estamos agindo dentro da normalidade”.

A Folha também procurou o Juizado da Infância e Juventude, que determina as transferências, mas segundo a assessoria de comunicação, o juizado recebeu duas cartas precatórias e ainda está apreciando o documento, ou seja, não há ainda uma ordem judicial que transfere esses três jovens para Roraima.

FUGAS - O Centro Socioeducativo Dagmar Feitoza, em Manaus, abriga cerca de 50 jovens considerados de alta periculosidade, condenados a cumprir medidas socioeducativas determinadas pela Justiça de Infância e Juventude. Este ano oito fugas foram registradas na instituição de acolhimento de menores infratores.


“Não há necessidade de importarmos criminalidade”, critica APBM

A Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Estado (APBM) detalhou a situação do Centro Sócioeducativo de Roraima. Segundo a entidade, no último dia 5, os adolescentes M.H.G.C. e D.X.T. foram apresentados no CSE em cumprimento a acordo entre o Governo do Estado de Roraima e a Unidade do Amazonas. Já no dia 15, foi transferido N.S., o qual, segundo a associação, é conhecido por exercer forte liderança sobre menores e adolescentes internos e externos de sistemas correcionais.

Diante do caso, a Apbm manifestou preocupação frente à insegurança causada pela presença dos novos internos na única unidade de recuperação de menores e adolescentes infratores de nosso Estado.

Para Quésia Mendonça, coordenadora-geral da Apbm, “não há necessidade alguma de ‘importarmos’ problemas, criminalidade ou infração de outros estados, aqui mesmo em Roraima já temos muito o que resolver”. A coordenadora tratou o caso como ‘novo investimento do CSE’ e disse que o resultado inicial disso será a inflação da criminalidade na capital boa-vistense.

“O sistema amazonense sofreu uma tentativa de resgate destes reeducandos, agora aquele Estado tenta transferir um problema que a sociedade roraimense não ajudou a produzir. Nós não temos as mínimas condições para manter a segurança desses infratores muito menos a dos agentes da lei”, afirmou a APBM. O histórico dos mesmos é de que numa rebelião comandada pelos adolescentes houve um homicídio.

Outro fato de preocupação para os policiais é o suposto envolvimento de um dos transferidos em 14 homicídios e possível relação do trio de jovens com narcotráfico e tráfico de sete fuzis.

A associação afirmou que o CSE tem uma Norma Geral de Ação (NGA), de 2008, a qual normatiza a atuação, efetivo da polícia militar e outras peculiaridades do serviço ostensivo realizado na unidade. Na mesma consta que o previsto é o quantitativo de seis militares de serviço, sendo que todos os dias são escalados três para realizarem mesmas atividades, o que corrobora para a ocorrência de fuga. “Até mesmo na guarda do Conjunto Executivo [morada do governador e dos membros do primeiro escalão do governo] existem mais policiais trabalhando”, completou Quésia, que deixou claro que a solução para esse fato será possível com a manifestação do Ministério Público em prol de imediata realização de concurso público.

Quésia ainda afirmou que após a chegada dos novos internos no CSE houve um princípio de rebelião com um sócio-orientador como refém. Na ocorrência a reivindicação dos mesmos era que ficassem em mesmas celas, “o que foi atendido depois de muita pressão. Os policiais militares tiveram as suas atuações prejudicadas, pois seus rádios de comunicação (HT’s) estavam defeituosos e tinham apenas revólveres calibre 38”, relatou..

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