LICITAÇÃO DIRIGIDA Denúncia feita por Flamarion há 10 dias é confirmada em edital
Data: 24/05/2013
Foto:Foto: Antonio Diniz
Na sede da empresa Brasil Norte Empreendimentos Ltda-ME, no bairro São Francisco, funciona uma garagem de veículos.
ÉLISSAN PAULA RODRIGUES
Uma denúncia feita pelo deputado
Flamarion Portela (PTC) há 10 dias, durante pronunciamento na Assembleia
Legislativa, foi confirmada na sexta-feira passada, dia 17, com a
publicação dos resultados de duas licitações da Secretaria Estadual de
Infraestrutura. O parlamentar acusou o Governo do Estado de direcionar
processos licitatórios para beneficiar duas empresas que, segundo ele,
seriam ligadas ao deputado Jânio Xingu (PSL).
Em seu discurso,
Flamarion afirmou que as duas licitações em andamento teriam uma
“determinação superior” de direcionamento para as empresas Brasil Norte
Empreendimentos Ltda-ME e BNX Empreendimentos e Serviços Ltda-ME. Um dos
serviços é para a construção de uma nova delegacia de polícia, onde vai
funcionar o 1º DP, no Centro. A concorrência pública foi vencida pela
Brasil Norte, com o montante de R$ 1.657.762,49.
A outra obra,
de construção da delegacia onde vai funcionar a Depol, no bairro São
Francisco, também em Boa Vista, com o valor de R$1.662.211,46. De acordo
com Flamarion, as obras serão financiadas com recursos oriundos de
empréstimo junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social) e as empresas não atenderiam aos requisitos exigidos pelo
edital. O fato teria gerado constrangimentos aos técnicos da
Infraestrutura.
Na sede da BNX Empreendimentos e Serviços Ltda-ME atualmente funciona uma loja especializada em venda de ar-condicionados
Em
entrevista à Folha nesta quinta-feira, 23, o deputado se disse
“estarrecido” ao constatar que, embora tenha adiantado a suposta
irregularidade, o fato tenha se concretizado. “Tornei público que estava
acontecendo o direcionamento para as empresas ligadas ao deputado Xingu
e, ainda assim, concluíram o processo e publicaram os resultados”,
comentou.
Ele afirmou ter oficializado as denúncias junto ao
Ministério Público Estadual e espera providências com relação aos fatos
relatados. “Há um conluio e o Governo do Estado confirmou o que estava
pré-estabelecido. O que esperamos são providências dos órgãos de
controle. O sentimento é de deboche, de escárnio com o erário, com o
dinheiro que pertence ao povo”, declarou.
A Folha esteve ontem
pela manhã na sede da empresa que tem o nome fantasia Brasil Norte Ltda,
mas que tem como razão social o nome Costa e Ramalho Ltda - ME, no
bairro São Francisco. No local, aparentemente abandonado, onde deveria
funcionar a sede administrativa da empresa, fica uma garagem com vários
veículos parados. O portão estava fechado com um cadeado. Nenhum
funcionário foi localizado.
No local onde funciona a sede
administrativa da BMX Empreendimentos, que tem como nome fantasia Lava
Rápido Wash Car, no bairro Asa Branca, funciona uma empresa de venda de
aparelhos de ar-condicionado. O sócio responsável pela BMX não estava no
local e, segundo a recepcionista, não tem horário específico para estar
na empresa. Não havia centrais de ar à venda, mas apenas propagandas.
Segundo
a funcionária, os pedidos de compra estariam em tramitação. O Lava
Rápido Wash Car foi localizado pela equipe de reportagem na avenida
Brigadeiro Eduardo Gomes, bairro Mecejana.
Conforme o deputado
Flamarion Portela, a mesma pessoa seria responsável técnica pelas duas
empresas. O sócio administrador da Costa e Ramalho Ltda – ME, Jefferson
Costa de Souza, também é protagonista de outra denuncia feita pelo
deputado, desta vez pela recuperação de uma vicinal no Cantá.
O CASO
– As denúncias feitas por Flamarion contra Xingu tiveram início depois
de um embate entre deputados da situação e oposição, por conta de
protestos feitos por alunos da rede pública estadual no plenário da
Assembleia Legislativa. Xingu acusou deputados oposicionistas de
financiar as manifestações e, em entrevista a uma rádio local, fez uma
série de acusações a alguns dos parlamentares, entre eles Flamarion
Portela.
A resposta veio na primeira sessão após a referida
entrevista, com a acusação de que Xingu estaria utilizando um “testa de
ferro” para contratar obras com o Governo do Estado. O caso diz respeito
ao contrato de recuperação de uma vicinal da região do Taboca, no
Município do Cantá, orçado em R$1,5 milhão.
Como a empresa Costa
e Ramalho Ltda – ME não teria equipamentos para executar a obra, Xingu
teria negociado a subempreitada – quando a empresa vencedora da
licitação contrata uma segunda empresa para fazer o serviço, por R$390
mil. O parlamentar apresentou a cópia de uma procuração pública firmada
em cartório em abril de 2011, em que o sócio administrador da empresa,
Jefferson Costa de Souza, concede amplos poderes à autônoma Maria
Aurenir Freitas de Holanda, esposa de Xingu.